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	<title>Centro Cultural de Capoeira Ventre Livre</title>
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	<description>Falando de Capoeira</description>
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		<title>Gangues do Rio: capoeira era reprimida no Brasil</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Jun 2010 18:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Um pouco de História]]></category>
		<category><![CDATA[início do século]]></category>
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		<category><![CDATA[O escravo]]></category>

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		<description><![CDATA[No início do século 19, grupos de capoeiristas usavam as ruas cariocas para exibir suas habilidades e resolver as diferenças. Enquanto a polícia reprimia os lutadores, a elite temia uma revolta dos escravos
por Antonio Neto
O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/kalixto_1906_meter_o_andante.jpg" rel='lytebox[gangues-do-rio-capoeira-era-reprimida-no-brasil]'><img class="alignleft size-full wp-image-1608" title="kalixto_1906_meter_o_andante" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/kalixto_1906_meter_o_andante.jpg" alt="" width="200" height="179" /></a>No início do século 19, grupos de capoeiristas usavam as ruas cariocas para exibir suas habilidades e resolver as diferenças. Enquanto a polícia reprimia os lutadores, a elite temia uma revolta dos escravos</p>
<p>por Antonio Neto</p>
<p>O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real. Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso. Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime. Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.</p>
<p>Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou “capoeiras”) nas ruas. Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.</p>
<p>Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade. Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos. Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.</p>
<p>Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em “maltas”. Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar. “As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças”, diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850). Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.</p>
<p>Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido em senzalas ou quilombos. “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17. Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta. Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome “capoeira” teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.</p>
<p>Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.</p>
<p>A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico. “Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares”, diz Soares. As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.</p>
<p>A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista. A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando “capoeiragem”.</p>
<p>Chibatadas e servidão</p>
<p>A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras. Mas ela passou a ser acrescida de castigos corporais. Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante. Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.</p>
<p>No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas. Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861). A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias – os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.</p>
<p>O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio). O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.</p>
<p>Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exempo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado “uma bofetada de mão aberta”. Mas, mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, quem diria, manter a ordem. Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos. Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados. Foi uma demonstração de poder e tanto.</p>
<p>Guerra nas ruas</p>
<p>O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de dom Pedro I. Eles acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos. Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios. Os ânimos andavam exaltados.</p>
<p>Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais. Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos. Eles exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira. Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.</p>
<p>Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o “imperador tirânico”, um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando “constituição” e “independência”. Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses. Xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas. Capoeiras distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.</p>
<p>O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial. A sorte de dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como “as noites das garrafadas”. A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.</p>
<p>O apoio dado pelos capoeiras à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio. Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça. Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores. Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada “gente preta”.</p>
<p>O temor acabou se traduzindo em repressão. Mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras. A pior ocorreu em1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio. Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos. Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa. Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade. “Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada”, afirma o historiador Soares. “Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti.”</p>
<p>Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime. Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas. Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos. A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.</p>
<p>Ginga secular</p>
<p>Os movimentos descritos nos arquivos policiais do Império se parecem com os golpes de hoje</p>
<p>Cabeçada</p>
<p>Como o próprio nome diz, trata-se de uma cabeçada aplicada contra o peito ou o queixo do oponente, aproveitando um momento de vacilo</p>
<p>“Crispim Quissamã e José Benguela foram encontrados a jogar as cabeçadas e castigados com 300 açoites e três meses de prisão.”</p>
<p>(25 de agosto de 1819)</p>
<p>Aú</p>
<p>Movimento de entrada na roda de capoeira, que também pode ser usado como golpe ofensivo. O jogador leva as duas mãos ao chão e estica as pernas para o alto</p>
<p>“José Moçambique fugiu da Ucharia Real, onde estava preso em correção, e foi apanhado na rua de São Pedro, em gestos de capoeiragem, jogando pernas para o ar para se defender.”</p>
<p>(31 de janeiro de 1820)</p>
<p>Meia-lua de compasso</p>
<p>Agachado sobre uma das pernas, com ao menos uma das mãos apoiadas no chão, o jogador faz um movimento de rotação e ataca com o calcanhar</p>
<p>“O escravo Antônio Mina tentou matar seu senhor com golpes de compasso e depois tentou fugir, sendo perseguido pelos outros escravos.”</p>
<p>(31 de julho de 1839)</p>
<p>Uma arte, dois mestres</p>
<p>Legalizada por Getúlio Vargas, a capoeira ganhou o mundo</p>
<p>Proibida logo no começo da República, a capoeira continuou, por muito tempo, vista como hábito de delinqüente. Sua prática só deixou de ser crime em 1937, na onda nacionalista do Estado Novo de Getúlio Vargas. Foi nesse mesmo ano, em Salvador, que a academia de Manuel dos Reis Machado, o mestre Bimba, recebeu licença para funcionar (antes disso, existira ilegalmente por cinco anos). Bimba, que viveu entre 1900 e 1974, foi o primeiro a criar um projeto esportivo e pedagógico para o jogo, com 52 golpes e contragolpes. O resultado foi a capoeira regional, cujos movimentos privilegiam o ataque e buscam atingir o tronco do adversário para derrubá-lo. A outra vertente de capoeira praticada hoje foi criada por Vicente Ferreira Pastinha, mestre Pastinha, nascido em 1889. Defensor das tradições escravas, ele manteve características lúdicas na sua técnica, chamada de capoeira angola. Na academia de Pastinha, aberta em 1935 (dois anos antes de sua morte), os alunos aprendiam um jogo com bastante dança, centrado na ginga das pernas e na defesa, com golpes dados para tentar apenas desequilibrar o oponente.</p>
<p>O curioso é que a imagem dessa arte tão brasileira começou a melhorar graças a um espanhol. Radicado no Rio, o arquiteto e engenheiro Adolfo Morales de los Rios Filho publicou uma série de artigos sobre o tema no jornal Rio Sportivo em agosto de 1926. Segundo ele, a capoeira deveria ser vista como um tipo de defesa pessoal “tão poderoso quanto o boxe britânico e norte-americano, a savate francesa e parisiense, o jiu-jítsu japonês e a clássica luta romana”. Dito e feito. Hoje a capoeira é ensinada em diversos países. Até mesmo Hollywood se rendeu a ela, que chegou a tomar o lugar do caratê e do kung fu em alguns filmes dos anos 1990. A partir daí, sua prática acabou sendo adotada por estrelas de cinema como Halle Berry e Charlize Theron (o interesse começou quando elas treinavam para os filmes de ação Mulher Gato e Aeon Flux, respectivamente).</p>
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		<title>Capoeira é coisa de malandros?</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 18:30:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1599" class="wp-caption alignleft" style="width: 207px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/agenor.jpg" rel='lytebox[capoeira-e-coisa-de-malandros]'><img class="size-medium wp-image-1599" title="agenor" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/agenor-197x300.jpg" alt="" width="197" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Sinhozinho fotografado aos 51 anos de idade.</p></div>
<p>O senso comum costuma associar a capoeira, principalmente até as primeiras décadas do século XX no Rio de Janeiro, como atividades de malandros e de categorias sociais que orbitavam em torno de um ambiente de boemia. Exemplos para isso não faltam: de Manduca da Praia, capoeira que viveu no início do século no Rio e que soube traçar relações proveitosas com figuras de elite que o mantiveram fora da cadeia; até Madame Satã, personagem lendária da região da Lapa que soube enfrentar o preconceito contra o homossexualismo a base de muitas navalhadas e rabos de arraia. No entanto, nem só do universo da rua e da malandragem a capoeira do Rio se alimentou no início do século. Ainda nos anos 1920, uma capoeira voltada para filhos da elite carioca despontou e fez escola pelas mãos de Agenor Moreira Sampaio, o Mestre Sinhozinho de Ipanema.</p>
<p>Por mais que se convencione associar o ensino de capoeira em academia como uma invenção baiana, personificado nos Mestres Bimba e Pastinha, Sinhozinho abre sua instituição de ensino na mesma época, no Rio. Sinhô, como era conhecido, nasceu em 1891, em Santos, filho de um tenente-coronel e chefe político local. Esses dados nos permitem perceber que Sinhozinho, como seu próprio apelido sugere, não provinha das classes baixas, fazendo parte das camadas mais favorecidas. Sua clientela também era composta por rapazes de classe média, em geral jovens de Ipanema e Copacabana. Aprendeu boxe e luta greco-romana, e achando que a capoeira se mostrava pobre para a luta, principalmente a ‘agarrada’, resolveu aplicar alguns dos golpes aprendidos nas outras artes marciais à capoeira. Em sua Escola, a capoeira era praticada sem a utilização de qualquer instrumento musical e o treinamento era auxiliado por levantamento de peso, o que o difere completamente de outros treinamentos de capoeira até finais do século XX. Sinhozinho também atuou como preparador físico, tendo trabalhado, por exemplo, para o América Futebol Clube. Pela sua Escola passaram figuras notórias em nossa sociedade, tais quais: Antonio Carlos Jobim e Rudolf Hermany, lutador e um de seus alunos mais conhecidos.</p>
<p>Alvo de diversas polêmicas, principalmente pela fala de diversos capoeiristas que afirmam que a</p>
<div id="attachment_1600" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/agenor_2.jpg" rel='lytebox[capoeira-e-coisa-de-malandros]'><img class="size-medium wp-image-1600" title="agenor_2" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/agenor_2-300x262.jpg" alt="" width="300" height="262" /></a><p class="wp-caption-text">Tom Jobim (em primeiro plano) na Academia de Mestre Sinhozinho.</p></div>
<p>atividade praticada em sua Academia não era capoeira, Sinhô conseguiu projetar a imagem de sua atividade física para além das ruas. Defendendo a criação de seu mestre, Hermanny, no <em>site</em> que criou em sua homenagem, aponta que “A  capoeira de Sinhozinho era baseada na capoeira  das antigas maltas que tanto perturbaram as autoridades do  Rio de Janeiro durante longos anos e teve pouca influência das modalidades praticadas ao som dos berimbaus”.<strong> </strong> Vê-se nessa fala, uma busca de respaldo para a capoeira de seu Mestre, Sinhozinho. Baseando-se em uma suposta tradição de capoeira do século XIX, não poderia haver dúvidas com relação à atividade que Sinhô ensinava.</p>
<p>Para além dessas questões, Sinhozinho nos ajuda a entender que além da rua e da boemia, a capoeira freqüentou os salões e gingou com parte da fina flor da elite carioca. Elite esta, que já flertava, mesmo que de maneira velada, com a prática de origem negra, ainda no século XIX.</p>
<p><em><strong>Fonte: <em>Vivian Fonseca</em></strong></em></p>
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		<title>O ensino da capoeiragem no início do século XX</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 16:30:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Um pouco de História]]></category>
		<category><![CDATA[capoeiragem]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de Capoeira]]></category>
		<category><![CDATA[início do século XX]]></category>
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		<description><![CDATA[Artigo de Carlos Cavalheiro a repercussão em jornal de Sorocaba, São Paulo, sobre a abertura de Academia de Capoeira no Rio de Janeiro, em 1920. A matéria trouxe a chamada &#8220;Um Desporto Nacional&#8221;
despeito de sua criminalização com a inserção no código penal de 1890 (Decreto 847/1890), a capoeiragem encontrou ainda nas primeiras décadas do século [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/imagem.jpg" rel='lytebox[o-ensino-da-capoeiragem-no-inicio-do-seculo-xx]'><img class="alignleft size-full wp-image-1595" title="imagem" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/imagem.jpg" alt="" width="200" height="183" /></a>Artigo de Carlos Cavalheiro a repercussão em jornal de Sorocaba, São Paulo, sobre a abertura de Academia de Capoeira no Rio de Janeiro, em 1920. A matéria trouxe a chamada &#8220;Um Desporto Nacional&#8221;</p>
<p>despeito de sua criminalização com a inserção no código penal de 1890 (Decreto 847/1890), a capoeiragem encontrou ainda nas primeiras décadas do século XX vários defensores e adeptos, especialmente entre intelectuais, escritores, jornalistas, boêmios&#8230; pessoas que circulavam pelos mesmos logradouros freqüentados pelos capoeiras.</p>
<p>Assim, João do Rio em &#8220;A Alma encantadora das ruas&#8221;, descreve o universo dos capoeiristas, Coelho Neto defende a sua prática como desporto, Aníbal Burlamaqui publica o seu método de capoeiragem e o articulista Petrus publica em 1914, num jornal de Sorocaba, uma crônica em que um capoeira carioca acaba se saindo melhor numa disputa com um boxeador inglês.</p>
<p>A vitória do negro capoeira Ciríaco sobre o campeão japonês de jiu-jitsu Sada Miako (conhecido como Conde Koma), também é responsável pela profusão de defensores da capoeira como esporte nacional. A par desse contexto, surge ainda o pensamento eugênico que vê na prática de esportes a forma de se aperfeiçoar e melhorar a espécie humana.[1]</p>
<p>Faltava apenas domesticar a capoeira, nascida livre nas vadiagens[2] e brincadeiras das ruas, dar-lhe um aspecto de esporte regrado. Daí surgirem livros procurando metodizá-la, regulamentá-la, regrá-la, castrá-la. Aliado a isso, a campanha dos intelectuais (como Monteiro Lobato no conto &#8220;O 22 do Marajó&#8221;) procurando evidenciar as qualidades nobres da capoeira e, ainda, o surgimento das primeiras idéias de fundação de academias que ensinassem a luta.</p>
<p>O jornal sorocabano Cruzeiro do Sul, por exemplo, reproduz a notícia da pretensão de se fundar uma academia nesses moldes no Rio de Janeiro em 1920. Eis a nota:</p>
<p>UM DESPORTO NACIONAL</p>
<p>O dr. Raul Pederneiras e o professor Mario Aleixo pretendem fundar no Rio uma escola para o ensino de um desporto genuinamente brasileiro: a capoeiragem.</p>
<p>Diz a &#8220;Folha&#8221; do Rio, ser a capoeiragem um desporto excellente. Quando bem executado e abolidos os golpes mortaes, é um meio utilissimo de defesa.</p>
<p>Há ainda na Capital Federal conhecedores emeritos da capoeiragem, mas poucos, relativamente aos que havia antes do regimen republicano.</p>
<p>Um japonez, jogador afamado do &#8220;jiú jutsú&#8221; foi vencido há tempos pelo capoeira carioca Cyriaco.</p>
<p>Raul Pederneiras pensa em reviver esse desporto, auxiliado pelo professor Mario Aleixo, que já ensinou &#8220;jiú-jutsú&#8221; e capoeiragem à polícia civil do Rio.</p>
<p>Os francezes chamam aquelle desporto de &#8220;savate&#8221;: os pés, as mãos, a cabeça, tudo o capoeira emprega quando se defende.</p>
<p>A &#8220;Folha&#8221; cita um marujo brasileiro, um tal &#8220;Boi&#8221;, que num porto francez  resistiu  a uma escolta numerosa, só se utilizando da cabeça e dos pés.[3]</p>
<p>A idéia de se ensinar a capoeira em academias vai tomando vulto com o passar dos anos. Sinhozinho cria uma no Rio de Janeiro[4]. Mestre Bimba funda a primeira academia registrada oficialmente em Salvador, na década de 1930. Uma década depois, Mestre Pastinha inaugura a sua academia de capoeira angola.</p>
<p>O fenômeno das academias baianas trará uma nova conformação à própria história da capoeira, uniformizando (no que tange às tradições, hábitos, costumes, rituais, instrumentação, cantigas etc) sua prática, especialmente após a migração de mestres para o sudeste brasileiro. Isso foi um dos motivos pelos quais a capoeira conhecida e praticada hoje é a baiana. Infelizmente, por outro lado, foram-se apagando pouco a pouco as práticas regionais anteriores como a pernada, a tiririca, o cangapé, a punga, o bate-coxa&#8230; que não puderam oferecer resistência e nem conseguiram criar condições para competir com a capoeira baiana.</p>
<p><strong><em>Fonte: Carlos Carvalho Cavalheiro.</em></strong></p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</p>
<p>O autor é pesquisador autônomo da história e do folclore de Sorocaba. Sócio efetivo da Comissão Paulista de Folclore (IBECC/UNESCO). Licenciado em História pela UNISO. Especialista (pós-graduação) em Gestão Ambiental &#8211; Faculdade Senac.</p>
<p>Créditos da foto do Jornal: Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho</p>
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		<title>Esporte e Saúde</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 19:15:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canal Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Guia Prático
O homem moderno vem deixando de lado as práticas esportivas, o que muitas vezes leva a um estilo de vida sedentário e provoca distúrbios como má alimentação, obesidade, tabagismo, estresse, doenças coronarianas, etc.
Como reação a essa atitude, a ciência do esporte vem desenvolvendo estudos e demonstrando a importância que a prática constante de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/ead-saude.jpg" rel='lytebox[esporte-e-saude]'><img class="alignleft size-medium wp-image-1613" title="ead saude" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/ead-saude-252x300.jpg" alt="" width="252" height="300" /></a>Guia Prático</p>
<p>O homem moderno vem deixando de lado as práticas esportivas, o que muitas vezes leva a um estilo de vida sedentário e provoca distúrbios como má alimentação, obesidade, tabagismo, estresse, doenças coronarianas, etc.</p>
<p>Como reação a essa atitude, a ciência do esporte vem desenvolvendo estudos e demonstrando a importância que a prática constante de uma atividade física bem planejada tem para que as pessoas possam ter uma vida mais saudável.</p>
<p>Motivos importantes para a prática da atividade física</p>
<p>1 – Auto estima</p>
<p>A prática regular de exercícios aumenta a confiança do indivíduo.</p>
<p>2 – Capacidade Mental</p>
<p>Pessoas ativas apresentam reflexos mais rápidos, maior nível de concentração e memória mais apurada.</p>
<p>3 – Colesterol</p>
<p>Exercícios vigorosos e regulares aumentam os níveis de HDL (lipoproteína de alta densidade, o “bom colesterol”) no sangue, fator associado à redução dos riscos de doenças cardíacas.</p>
<p>4 – Depressão</p>
<p>Pessoas com depressão branda ou moderada, que praticam exercícios de 15 a 30 minutos em dia alternados, experimentam uma variação positiva do humor já após a terceira semana de atividade.</p>
<p>5 – Doenças Crônicas</p>
<p>Os sedentários são duas vezes mais propensos a desenvolver doenças cadíacas. A atividade física regula a taxa de açúcar no sangue, reduzindo o risco de diabetes.</p>
<p>6 – Envelhecimento</p>
<p>Ao fortalecer os músculos e o coração, e ao amenizar o declínio das habilidades físicas, os exercícios podem ajudar a manter a independência física e a habilidade para o trabalho, retardando o processo de envelhecimento.</p>
<p>7 – Ossos</p>
<p>Exercícios regulares com pesos são acessórios fundamentais na construção e manutenção da massa óssea.</p>
<p>8 – Sono</p>
<p>Quem se exercita “pega” no sono com mais facilidade, dorme profundamente e acorda restabelecido.</p>
<p>9 – Stress e Ansiedade</p>
<p>A atividade física libera os hormônios acumulados durante os momentos de stress. Também funciona como uma espécie de tranqüilizante natural – depois do exercício a pessoa experimenta uma sensação de serenidade.</p>
<p>Conceitos importantes para a prática da atividade física</p>
<p>Avaliação Física</p>
<p>Antes de iniciar um programa de atividade física regular, é fundamental a realização de uma avaliação física para a prevenção de quaisquer riscos à sua saúde. Esta avaliação de estado de aptidão inclui quatro áreas.</p>
<p>- força muscular;</p>
<p>- flexibilidade articular;</p>
<p>- composição corporal (percentual de gordura, peso corporal magro e peso corporal desejável);</p>
<p>- capacidade funcional cádio-respiratória.</p>
<p>Todos estes dados colaboram para a formulação correta de um programa de exercícios individualizado, baseado no estado de saúde e de aptidão da pessoa.</p>
<p>Avaliação Correta</p>
<p>Adquira, progressivamente, bons hábitos alimentares. Faça cerca de 5 a 6 refeições moderadas por dia.</p>
<p>O café da manhã deve ser rico e diversificado, constituindo uma das principais refeições.</p>
<p>Elimine ou evite de sua dieta os alimentos que só contribuem com calorias e que não têm valor nutritivo.</p>
<p>Evite chá, café e álcool, pois podem causar uma indesejável diminuição da eficiência muscular.</p>
<p>Prefira água e sucos naturais, em detrimento de bebidas artificiais.</p>
<p>Evite alimentos gordurosos, pois além de prejudicar o processo digestivo, aumentam o colesterol e o percentual de gordura no organismo.</p>
<p>Inserir alimentos ricos em carboidratos é muito importante, porém o excesso pode ser transformado em gordura e depositado no tecido adiposo.</p>
<p>Use a roupa correta</p>
<p>Na prática da atividade física, a escolha da roupa é importante.</p>
<p>Não utilize aquelas que dificultam a troca de temperatura entre o corpo e o meio ambiente (evite tecidos sintéticos).</p>
<p>Prefira roupas claras, leves e que mantenham a maior parte do corpo em contato com o ar, facilitando a evaporação do suor.</p>
<p>Use tênis apropriado para a modalidade física escolhida.</p>
<p>Prepare seu corpo antes da atividade física – Alongamento e Aquecimento</p>
<p>O alongamento é a forma de trabalho que visa a manutenção dos níveis de flexibilidade obtidos e a realização de movimentos de amplitude normal, com o mínimo de restrição possível, preparando assim o corpo para a atividade a ser realizada, evitando riscos aos músculos esqueléticos, tendões e articulações. Ele deve ser realizado antes e após os treinos. Ao executar os movimentos, fique atento à postura correta, mantendo a respiração lenta e profunda. Assim os resultados serão melhores.</p>
<p>O aquecimento deve durar de 5 a 20 minutos, utilizando 50% da sua capacidade máxima de condicionamento. Os objetivos deste preparo (aquecimento) são o aumento da temperatura corporal e a melhora da flexibilidade, evitando lesões nas regiões a serem estimuladas pelo exercício.</p>
<p>Volta a calma – resfriamento do organismo</p>
<p>Ao término do seu treino, não pare bruscamente: diminua progressivamente a intensidade da sua atividade. Com isso você conseguirá obter um estado de relaxamento do sistema nervoso central, aumentando a descontração da musculatura e otimizando a recuperação metabólica.</p>
<p>Sequência de alongamento para antes e depois da atividade física.</p>
<p>Freqüência e Intensidade do Programa de Exercícios</p>
<p>Para se adquirir um bom condicionamento, por meio de um programa eficiente de treinamento, deve-se levar em consideração os principais fatores que afetam as melhoras induzidas pelo treinamento. São estes: o nível inicial de aptidão, a freqüência, a intensidade, a duração e o tipo (modalidade) de treinamento.</p>
<p>A intensidade é estabelecida no exercício em termos de percentual da resposta da frequência cardíaca máxima individual.</p>
<p>Níveis de treinamento que proporcionam melhora na aptidão aeróbica, variam entre 60 e 85% da freqüência máxima, dependendo do nível de capacidade aeróbica individual.</p>
<p>A freqüência de treinamento aeróbico deve ser de, no mínimo, três vezes por semana.</p>
<p>Tabela de cálculo</p>
<p>Para obter os níveis ideais de freqüência cardíaca para uma atividade física, faça o seguinte cálculo:</p>
<p>F.C. máxima = 220 – (sua idade)</p>
<p>Este resultado deve ser multiplicado pelo percentual que varia de acordo com o seu nível de condicionamento físico.</p>
<p>Como saber qual é o percentual adequado para você:</p>
<p>Iniciantes: entre 60 e 65%</p>
<p>Intermediários: entre 65 e 75%</p>
<p>Avançados: entre 75 e 85%</p>
<p>Os percentuais citados são apenas sugestivos. Procure um profissional de educação física para que ele possa orientá-lo e acompanhá-lo adequadamente.</p>
<p>Tabela de Freqüência</p>
<p>Nos primeiros espaços devem ser utilizados ospercentuais de F. C. de acordo com o nível decondicionamento e suas respectivas F. C..</p>
<p>Exemplo: Tenho 25 anos e sou sedentário. Cálculo220-25=195. Esta é a freqüência cardíaca máxima que deve ser multiplicada pelo percentual que varia de acordo com o nível de condicionamento.</p>
<p>F. C. inicial: freqüência cardíaca ainda em repouso.</p>
<p>F. C. durante: freqüência cardíaca na metade do tempo de trabalho ou no momento de maior intensidade.</p>
<p>F. C. final: freqüência cardíaca no término do exercício, antes da diminuição da intensidade.</p>
<p>F. C. de recuperação: freqüência cardíaca após 1 minuto do término da atividade.</p>
<p>Tempo de Trabalho: duração do tempo total de treino.</p>
<p>Intensidade do exercício: medir a intensidade do exercício em treinos realizados em aparelhos orgométricos, como esteiras, bicicletas, etc, considerando velocidade, inclinação ou níveis de carga. Se estiver nadando ou correndo na rua, considere a distância percorrida.</p>
<p>Nível de esforço: relacione qual das opções reflete onível de esforço desprendido para realizar a atividade.</p>
<p>Obs.: Faça cópias das tabelas seguintes para seucontrole freqüente.</p>
<p>Atividade Física</p>
<p>Apesar do procedimento correto, podem ocorrer dores ou até lesões</p>
<p>Prevenção de Contusões</p>
<p>Tão importante quanto a prática de exercícios é a prevenção de danos que possam surgir. De acordo com pesquisas, as pessoas que não praticam exercícios com freqüência – às vezes chamadas de atletas de fim de semana – apresentam 3 vezes mais danos físicos quando comparadas com participantes de esportes organizados, e 9 entre 10 desses danos são deslocamentos e luxações, normalmente resultados do desequilíbrio entre a força muscular utilizada e a tolerância pessoal.</p>
<p>Exercícios e Dor</p>
<p>Respeite seu nível de aptidão e seu condicionamento físico para não exceder limites e provocar possíveis lesões. Seu corpo precisa de tempo para sofrer as adaptações necessárias para a melhora de condicionamento. Isto significa que as melhoras são progressivas. A dor é um bom indício para a intensidade correta de estímulo a ser empregada.</p>
<p>Lembre-se: se doer, pare.</p>
<p>Tratamento de Contusões</p>
<p>As dicas apresentadas por este guia são muito importantes para a prevenção dos danos físicos, mas mesmo com o maior cuidado durante o condicionamento, elas podem ocorrer. Para a maioria dos atletas amadores, o dano normalmente não é grave. Na verdade, a maior parte das lesões pode ser tratadas em casa, seguindo os seguintes procedimentos.</p>
<p>Descanse</p>
<p>Pare imediatamente qualquer exercício ou movimento da parte do corpo lesada. O descanso proporciona melhora. Use um apoio (pode ser uma muleta) para evitar colocar o peso sobre a perna, joelho, tornozelo ou pé, e use uma tala ou tipóia para imobilizar o braço com lesão.</p>
<p>Gelo</p>
<p>Aplique gelo o mais rápido possível. O frio causa uma vasocontrição, ou seja, faz com que as veias se contraiam, ajudando a parar sangramentos internos. Com isso, acumula-se o mínimo possível de sangue no local da lesão. A aplicação deve ser feita por aproximadamente 30 min, depois o gelo deve ser removido por 2 horas até a pele esquentar. Repita a aplicação do gelo por 3 a 5 vezes diariamente. Atenção: nunca ponha coisas quentes sobre uma lesão. O calor dilata os vasos sangüineos, resultando em inchaço. O calor só é apropriado após o término de sangramento interno, usualmente 72 horas após um deslocamento ou luxação.</p>
<p>Compressão</p>
<p>Envolva a lesão com uma bandagem elástica ou um pedaço de pano para reduzir o inchaço, diminuir a movimentação e o esforço na área lesada. Mantenha a bandagem firme, mas não aperte em excesso.</p>
<p>Elevação</p>
<p>Elevar a área de lesão acima do nível do coração, se possível, para que a gravidade drene o excesso de fluxo sangüineo. Este procedimento também diminui o inchaço e a dor.</p>
<p>Além destes procedimentos, você poderá utilizar um analgésico para aliviar as dores provenientes de músculos, tendões e ligamentos lesados.</p>
<p>Material desenvolvido com apoio do professor de educação física Wagner Gasparini, graduado pela FMU, pós-graduado em Treinamento Desportivo pela FMU e pós-graduado em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista de Medicina.</p>
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		<title>Arcos da Lapa</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 14:24:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Um pouco de História]]></category>
		<category><![CDATA[Arcos da Lapa]]></category>
		<category><![CDATA[Arqueduto]]></category>
		<category><![CDATA[boêmio da Lapa.]]></category>
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		<category><![CDATA[Leandro Joaquim]]></category>
		<category><![CDATA[Martim Correia de Sá]]></category>

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		<description><![CDATA[O Aqueduto da Carioca, popularmente conhecido como os Arcos da Lapa, localiza-se no bairro da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.
Considerada como a obra arquitetônica de maior porte empreendida no Brasil durante o período colonial, é hoje um dos cartões postais da cidade, símbolo mais representativo do Rio Antigo preservado no bairro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1583" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/Arcos_da_Lapa.jpg" rel='lytebox[arcos-da-lapa]'><img class="size-medium wp-image-1583" title="Arcos_da_Lapa" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/Arcos_da_Lapa-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Arcos da Lapa</p></div>
<p>O Aqueduto da Carioca, popularmente conhecido como os Arcos da Lapa, localiza-se no bairro da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.</p>
<p>Considerada como a obra arquitetônica de maior porte empreendida no Brasil durante o período colonial, é hoje um dos cartões postais da cidade, símbolo mais representativo do Rio Antigo preservado no bairro boêmio da Lapa.</p>
<p>Os primeiros estudos para trazer as águas do rio Carioca para a cidade remontam a 1602, por determinação do então governador da Capitania do Rio de Janeiro, Martim Correia de Sá (1602-1608). Em 1624, um contrato para a construção do primitivo conduto foi firmado com Domingos da Rocha, que não chegou a iniciar os trabalhos. Em 1660 apenas 600 braças de canos estavam assentadas, tendo as obras recebido impulso em 1706, sob o governo de D. Fernando Martins Mascarenhas Lancastro (1705-1709).</p>
<p>Em 1718, sob o governo de c (1717-1719), iniciaram-se as obras de instalação dos canos de água através da antiga Rua dos Barbonos (atual Rua Evaristo da Veiga). Sob o governo de Aires de Saldanha de Albuquerque Coutinho Matos e Noronha (1719-1725), em 1720 o encanamento alcançava o Campo da Ajuda (atual</p>
<div id="attachment_1584" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/LeandroJoaquim-1790-Arcos.jpg" rel='lytebox[arcos-da-lapa]'><img class="size-medium wp-image-1584" title="LeandroJoaquim-1790-Arcos" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/LeandroJoaquim-1790-Arcos-300x214.jpg" alt="" width="300" height="214" /></a><p class="wp-caption-text">Vista do Aqueduto da Carioca (Leandro Joaquim, c. 1790). A lagoa, em primeiro plano, foi aterrada para a construção do Passeio Público. O edifício no alto do morro é o Convento de Santa Teresa.</p></div>
<p>Cinelândia), ainda nos arrabaldes da cidade à época. Foi este governador quem, alterando o projeto original, defendeu a vantagem de se prolongar a obra até ao Campo de Santo Antônio (atual Largo da Carioca), optando pelos chamados Arcos Velhos – um aqueduto ligando o morro do Desterro (atual morro de Santa Teresa) ao morro de Santo Antônio, inspirado no Aqueduto das Águas Livres, que então começava a se erguer em Lisboa. A obra estava concluída em 1723, levando as águas à Fonte da Carioca, chafariz erguido também nesse ano, que as distribuía à população no referido Campo de Santo Antônio.</p>
<p>A solução foi paliativa, uma vez que já em 1727 se registram reclamações de falta de água,atribuindo-se à ação de quilombolas (escravos fugitivos, que viviam ocultos nas matas) a responsabilidade pela quebra dos canos. Mais tarde, o governo pediu contas ao encarregado pela conservação da obra o qual, furtando-se ao seu dever, evadiu-se. Foram estabelecidas, ainda, penas para os atos de vandalismo contra a obra.</p>
<p>O governador Gomes Freire de Andrade (1733-1763) determinou, em 1744, a reconstrução do Aqueduto da Carioca, com pedra do país, diante do elevado custo da cantaria vinda do reino. Com risco atribuído ao brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, recebeu a atual conformação, em arcaria de pedra e cal. A Carta Régia de 2 de maio de 1747 determinou que as águas fossem cobertas por abóbada de tijolos, para evitar o seu desvio mal-intencionado.</p>
<div id="attachment_1585" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/Aqueduto_da_Carioca_Transformado_em_Viaduto_para_Bondes_Rio_de_Janeiro_-_Brasil_-_1896.jpg" rel='lytebox[arcos-da-lapa]'><img class="size-medium wp-image-1585" title="Aqueduto_da_Carioca_Transformado_em_Viaduto_para_Bondes_(Rio_de_Janeiro_-_Brasil)_-_1896" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/Aqueduto_da_Carioca_Transformado_em_Viaduto_para_Bondes_Rio_de_Janeiro_-_Brasil_-_1896-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Aqueduto da Carioca, Rio de Janeiro, Brasil (Marc Ferrez, 1896).</p></div>
<p>Inaugurado em 1750, as águas brotaram aos pés do Convento de Santo Antônio, em um chafariz de mármore, através de 16 bicas de bronze. Mais tarde essa água foi estendida, através da Rua do Cano (atual Rua Sete de Setembro), até ao Largo do Paço (atual Praça XV), onde os navios vinham abastecer-se.</p>
<p>Na segunda metade do século XIX, durante o Império e, posteriormente, diante do advento da República, novas alternativas para o abastecimento de água aos moradores da cidade do Rio de Janeiro foram sendo utilizadas. O aqueduto, a partir de 1896 passou a ser utilizado como viaduto para os novos bondes de ferro da Companhia de Carris Urbanos, principal meio de acesso do centro aos altos do bairro de Santa Teresa, até os dias de hoje.</p>
<p>Conservados pelo poder público, em nossos dias, os antigos arcos coloniais servem de pano de fundo para diversos eventos, como as festividades da Semana Santa e o tradicional Auto de Natal da cidade.</p>
<p><strong>Características</strong></p>
<p>A estrutura, em pedra argamassada, apresentava originalmente 270 metros de comprimento por 17,6 metros de altura. Em estilo românico, caiada, possui 42 arcos duplos e óculos na parte superior. Em sua construção foi empregada a mão-de-obra de escravos indígenas e africanos.</p>
<div id="attachment_1586" class="wp-caption aligncenter" style="width: 575px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/Bonde_Sta_Tereza01.jpg" rel='lytebox[arcos-da-lapa]'><img class="size-medium wp-image-1586" title="Bonde_Sta_Tereza01" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/Bonde_Sta_Tereza01-300x65.jpg" alt="" width="565" height="122" /></a><p class="wp-caption-text">Panorama do aqueduto da Carioca.</p></div>
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		<title>Morro da Providência &#8211; A primeira favela</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 14:08:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Um pouco de História]]></category>
		<category><![CDATA[A primeira Favela]]></category>
		<category><![CDATA[Campo de Santana.]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade Velha]]></category>
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		<category><![CDATA[Gamboa]]></category>
		<category><![CDATA[Morro da Providência]]></category>
		<category><![CDATA[O Cemitério dos Ingleses]]></category>
		<category><![CDATA[século XIX]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 1808, quando o Rio tinha 50 mil habitantes (mais da metade eram escravos), chegou a família real portuguesa com sua corte no Rio, ocupando a cidade com mais de 10 mil pessoas. Com a abertura dos portos e as ligações comérciais, a importação e a exportação cresceram e o Rio de Janeiro se desenvolvia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1808, quando o Rio tinha 50 mil habitantes (mais da metade eram escravos), chegou a família real portuguesa com sua corte no Rio, ocupando a cidade com mais de 10 mil pessoas. Com a abertura dos portos e as ligações comérciais, a importação e a exportação cresceram e o Rio de Janeiro se desenvolvia para um importante entreposto comercial nas rotas marítimas internacionais.</p>
<div id="attachment_1575" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/favelaprovidencia2.jpg" rel='lytebox[morro-da-providencia-a-primeira-favela]'><img class="size-medium wp-image-1575" title="favelaprovidencia2" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/favelaprovidencia2-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">A primeira favela no Morro da Providência</p></div>
<p>O colônia Brasil se tornou Reino Unido a Portugal e Algarves em 1815. Por isso, o Palácio dos Vice-Reis se transformou em Paço Real. Novos prédios administrativos foram construídos. Até 1808 a área urbana contou casas térreas coloniais e cerca de 150 chácaras.</p>
<p>Depois até 1818 cerca 600 sobrados foram construídos nesta área e a cidade cresceu em direção à Lapa, Catete e Glória (ao sul) e na área de São Cristóvão ao norte, próxima à residência real na Quinta da Boa Vista. Aqui, a &#8220;Cidade Nova&#8221; surgiu (o bairro com esse nome ainda existe), separada da &#8220;Cidade Velha&#8221; pelo Campo de Santana.</p>
<p>A população pobre ocupava a área norte da cidade velho, os bairros atuais da Saúde, Gamboa e c, onde se concentravam as casas comerciais, os trapiches, os estaleiros e as atividades manufatureiras. As freguesias rurais produziam alimentos. As fazendas mais próximas à cidade eram retalhadas em chácaras, usadas a princípio, nos fins de semana e, depois, como residências permanentes, num processo de desmembramento contínuo conforme a cidade crescia.</p>
<p>Nesta época foram feitos muitos investimento públicos: abertura de caminhos e ruas, calçamento, iluminação e limpeza pública, obras de saneamento e provisão de água potável.</p>
<p>Chega ao Rio a missão de artistas franceses integrada por Grandjean de Montigny. Dom João VI</p>
<div id="attachment_1576" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/favelaprovidencia4.jpg" rel='lytebox[morro-da-providencia-a-primeira-favela]'><img class="size-medium wp-image-1576" title="favelaprovidencia4" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/favelaprovidencia4-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Os primeiros barracos da favela</p></div>
<p>inaugurou o Horto Real (atual Jardim Botânico), a Biblioteca e o Museu Real, o Banco do Brasil, e a Imprensa Régia. Em 1822, com o país independente, o Rio de Janeiro passa à capital do novo Império.</p>
<p>Em meados do século XIX, a implantação de um sistema regular de transportes coletivos, impulsionou a expansão da cidade. Os bondes puxados por burros encurtaram as distâncias para a zona sul e a Glória, Catete e Botafogo deixaram de ser bairros de fim de semana; os trens permitiram a ocupação ao longo das ferrovias criando novos bairros como o Engenho Novo, Méier, Piedade e Cascadura.</p>
<p>Em 1892 foi aberto o Túnel Alaor Prata (conhecido como Túnel Velho) ligando Botafogo à Copacabana, que permitiu o início da ocupação da orla marítima. Novas linhas de bonde foram criadas para a Tijuca e surge o novo bairro de Vila Isabel. Botafogo, à beira mar, se valorizou tanto que esvaziou o aristocrático bairro de São Cristóvão, onde residia a família imperial. Ao redor do Campo de Santana concentravam-se os principais prédios públicos.</p>
<div id="attachment_1577" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/cemiterio2.jpg" rel='lytebox[morro-da-providencia-a-primeira-favela]'><img class="size-medium wp-image-1577" title="cemiterio2" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/cemiterio2-300x219.jpg" alt="" width="300" height="219" /></a><p class="wp-caption-text">O Cemitério dos Ingleses na Gamboa</p></div>
<p>O café já era cultivado em chácaras e sítios desde o final do século XVIII e com o crescimento da produção e exportação durante o século XIX, novos armazéns foram construídos na área portuária (1830) e em 1876 foi inaugurado o novo porto da Saúde, a Companhia Docas Dom Pedro II. As ferrovias se expandiam interligando as fazendas de café do interior de Minas Gerais e São Paulo ao Porto do Rio.</p>
<p>O primeiro sistema de esgoto foi construído com investimento inglês, bem como lançado o serviço de água encanada, iluminação a gás e a implantação de telégrafos e telefones. Abriu-se o Canal do Mangue, inaugurou-se o calçamento de ruas em paralelepípedos e promoveu-se a reforma do Passeio Público com o traçado original de Mestre Valentim modificado pelo paisagista francês Augusto Glaziou.</p>
<p>A abolição da escravidão em 1888 esvaziou os campos de cultivo de café, intensificou a migração para a cidade e evidenciou os contrastes sociais.</p>
<p>Surge a primeira favela com a ocupação do Morro da Providência, na Gamboa, por soldados que voltaram da Guerra de Canudos.</p>
<p>Com a Proclamada da República, o c tornou-se Capital Federal. As mansões e palacetes transformaram-se em asilos, escolas ou casas de cômodos. As grandes propriedades dividiram-se para se construir casas menores, substituídas mais tarde pelos primeiros prédios de apartamentos.</p>
<p>No final do século XIX, o centro da capital da República era acanhado, com ruas tortuosas e estreitas, casas baixas, lotes compridos, transporte lento. A população sofria com epidemias de febre amarela.</p>
<div id="attachment_1573" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/passeiopublico4.jpg" rel='lytebox[morro-da-providencia-a-primeira-favela]'><img class="size-medium wp-image-1573" title="passeiopublico4" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/passeiopublico4-300x214.jpg" alt="" width="300" height="214" /></a><p class="wp-caption-text">O Passeio Público foi reformado pelo Mestre Valentim</p></div>
<div id="attachment_1574" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/caisgamboa2.jpg" rel='lytebox[morro-da-providencia-a-primeira-favela]'><img class="size-medium wp-image-1574" title="caisgamboa2" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/caisgamboa2-300x219.jpg" alt="" width="300" height="219" /></a><p class="wp-caption-text">Os cais da Gamboa</p></div>
<p><span style="color: #000000;">1808  &#8211; Foi criado por Dom João VI o Jardim de Aclimação (depois  Real Horto e Real Jardim Botânico) para aclimatar as mudas de especiarias  que vinham da Europa.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1810  &#8211; Foi regalado pelo Dom João VI um cemitério ao comunidade ingles,  porquê os ingleses não foram permitido ser enterrado nas igrejas  católicas, porquê não foram católicos. O Cemitério  dos Ingleses no Morro da Providência é o cemitério mais velho  da cidade.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1816  &#8211; Dom João VI foi coroado como Rei de Portugal. Foi a primeira vez que  uma nação europeana foi governado numa velha colônia.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1822  &#8211; Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil no dia 7 de setembro e  foi coroado como primeiro imperador do Brasil na Igreja de Nossa Senhora do Carmo  da Antiga Sé.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1824  &#8211; Foi terminado a obra da Igreja de São José, no lugar do velho  Matriz da Sé do Rio de Janeiro.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1862  &#8211; O Passeio Público foi renovado pelo paisagista francês Auguste  Marie Glaziou.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1866  &#8211; Terminou a construída do Palácio do Catete, que serviu como sede  da Presidência da Repúblicade 1897 a 1960, quando a capital do Brasil  foi transferido pela nova cidade Brasília.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1872  &#8211; O Rio de Janeiro teve 275000 habitantes.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1877  &#8211; Terminando-se a construção da Igreja de Nossa Senhora da Candelária.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1880  &#8211; Em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República  e o Campo de Santana recebeu a denominação de Praça da República.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1880  &#8211; Dom Pedro II mandou a construída do Palácio da Ilha Fiscal.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1884  &#8211; Inauguração da Estrada de Ferro Corcovado pelo Dom Pedro II.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1892  &#8211; Abertura do primeiro tunel, o Tunel Alãor Prata, conhecido como Tunel  Velho ou Tunel Engenheiro Coelho Cintra, que ligava o Botafogo com os bairros  atuais do Leme e Copacabana.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1892  &#8211; Inauguração da primeira Estrada de Ferro elétrica, a Linha  do Flamengo da Companhia Carro Ferril do Jardim Botânico. A primeira linha  elétrica saiu o Largo de Machado, seguindo para Praia do Flamengo, e depois  para o Largo de Carioca.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1896  &#8211; O Aqueduto de Carioca começou servir para o bondinho de Santa Teresa,  e tornou-se o símbolo do bairro da Lapa com o novo nome Arcos da Lapa.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1897  &#8211; Os soldados que voltaram da campanha de Canudos na Bahia ocuparam o Morro da  Providência no Centro da cidade. Os soldados deram seu morro o nome Morro da Favela.  Favela era o nome da colina onde se haviam entricheirado em Canudos.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1898  &#8211; Inauguração da Igreja de Nossa Senhora da Candelária.</span></p>
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		<title>Mestre Batata</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 00:37:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mestre Batata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias e Informações]]></category>
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		<description><![CDATA[Olá, a partir do dia 24/07/10 até 10/10/10  estarei na Europa, caso deseje me encontrar faça contato pelo email mestre_batata@hotmail.com. Administro cursos de capoeira &#8220;carioca&#8221; e de samba no pé para  quem não sabe sambar ou esta destreinado, ambos os sexos. Valeu !!!
Acesse o Link
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1568" class="wp-caption aligncenter" style="width: 208px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/Mestre_Batata.jpg" rel='lytebox[1556]'><img class="size-medium wp-image-1568" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/Mestre_Batata-198x300.jpg" alt="" width="198" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Mestre Batata</p></div>
<p>Olá, a partir do dia 24/07/10 até 10/10/10  estarei na Europa, caso deseje me encontrar faça contato pelo email <a href="mailto:mestre_batata@hotmail.com">mestre_batata@hotmail.com</a>. Administro cursos de capoeira &#8220;carioca&#8221; e de samba no pé para  quem não sabe sambar ou esta destreinado, ambos os sexos. Valeu !!!</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=9cx8GE4d7zU&amp;feature=related">Acesse o Link</a></p>
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		<title>Pelourinho</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 14:28:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Um pouco de História]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
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		<category><![CDATA[Salvador]]></category>

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		<description><![CDATA[A história do Pelourinho se confunde, em muito, com a história da própria cidade de Salvador, que Tomé de Souza, primeiro Governador Geral do Brasil, fundou em 1549, vindo com ordens expressas do rei de Portugal para construir uma &#8220;cidade fortaleza&#8221;.
Feita em caráter de urgência e preocupação, essa medida do Rei de Portugal, D. João [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="../wp-content/uploads/2010/06/Pelourinho.jpg" rel='lytebox[pelourinho]'><img class="alignleft" title="Pelourinho" src="../wp-content/uploads/2010/06/Pelourinho-300x240.jpg" alt="" width="300" height="240" /></a>A história do Pelourinho se confunde, em muito, com a história da própria cidade de Salvador, que Tomé de Souza, primeiro Governador Geral do Brasil, fundou em 1549, vindo com ordens expressas do rei de Portugal para construir uma &#8220;cidade fortaleza&#8221;.</p>
<p>Feita em caráter de urgência e preocupação, essa medida do Rei de Portugal, D. João III, atendia à necessidade de defesa da nossa terra, constantemente invadida por corsários que vinham retirar, com a ajuda indígena, as riquezas naturais da então colônia portuguesa, principalmente o pau-brasil e a cana de açúcar.</p>
<p>Salvador foi escolhida como sede de governo devido à excelente localização geográfica e estratégica posição econômica, como principal porto de carga e descarga de mercadorias de todo o Nordeste.</p>
<p>Logo que chegou aqui, Tomé de Souza tratou de cumprir as ordens do rei, fundando a cidade cujo nome homenageia Jesus Cristo -</p>
<p>o Salvador, no melhor ponto para a construção da &#8220;cidade fortaleza&#8221;, o hoje chamado Pelourinho, local ideal de suas pretensões.</p>
<p>As razões que levaram a escolha do Pelourinho são bastante claras. É a parte mais alta da cidade, em frente ao porto, perto do</p>
<p>comércio e naturalmente fortificada pela grande depressão existente que forma uma muralha, de quase noventa metros de altura,</p>
<p>por quinze quilômetros de extensão, o que facilitaria a defesa de qualquer ameaça vinda do mar.<a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/pelourinho-foto.jpg" rel='lytebox[pelourinho]'><img class="alignleft size-medium wp-image-1553" title="pelourinho-foto" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/06/pelourinho-foto-237x300.jpg" alt="" width="237" height="300" /></a></p>
<p>Em poucos anos, Tomé de Souza construiu uma série de casarões e sobrados, na parte superior dessa muralha, todas inspiradas, evidentemente, na arquitetura barroca portuguesa e erguidos com mão de obra escrava negra e indígena. Para dar maior proteção à cidade, o Governador Geral limitou o acesso a apenas quatro portões, estes totalmente destruídos durante as tentativas sem sucesso, de dominação da cidade no séc. XVII.</p>
<p>Na verdade, o termo &#8220;pelourinho&#8221; é o nome dado ao local onde os escravos eram castigados pelos senhores de engenho. O &#8220;pelourinho&#8221; era construído nos engenhos, afastado da cidade. A fim de demostrar à população sua força e poder, os senhores de engenho resolveram construir um &#8220;pelourinho&#8221; no centro da cidade, instalando-o no largo central, hoje área localizada em frente a</p>
<p>casa de Jorge Amado. A partir daí os escravos eram castigados em praça pública para que todos pudessem assistir tal demonstração</p>
<p>de poder. Devido a esse fato o &#8220;pelourinho&#8221; virou ponto de referência da cidade, dando nome ao antigo centro da cidade, e hoje</p>
<p>Centro Histórico de Salvador.</p>
<p>Com o passar dos tempos, o nome Pelourinho se popularizou, tanto na Bahia quanto no Exterior, passando a referir-se a toda a área do conjunto arquitetônico barroco-português compreendida entre o Terreiro de Jesus e a Igreja do Passo.</p>
<p>Durante o séc. XVI e até o início do séc. XX, o Pelourinho foi o bairro da aristocracia soteropolitana, composta de senhores de engenho, políticos, grandes comerciantes e o clero, por isso a forte influência européia na sua arquitetura e o grande número de</p>
<p>igrejas num espaço geográfico tão pequeno e, certamente, o mais antigo da cidade.</p>
<p>Foi justamente nessa época que o poder político da cidade concentrava-se nesse local que ainda tem monumentos como a Câmara Municipal, sede da Prefeitura, a Assembléia Legislativa e a sede do Governo do Estado. Porém, hoje em dia, apenas a Câmara e a Prefeitura continuam com suas sedes no Centro Histórico.</p>
<p>Infelizmente, a partir da década de 60, o Pelourinho começou a sofrer um terrível processo de degradação política, social e econômica, pois a cidade sofria um intenso processo de modernização econômica que transformou sensivelmente a sua estrutura ganhando novos centros comerciais e industriais, e novos bairros geográficos.</p>
<p>O Pelourinho foi se tornando um local totalmente abandonando, onde a marginalidade e a prostituição imperavam, junto a monumentos em ruína e desabamentos, ocupados por pessoas exiladas do novo centro da cidade. Esse descaso adiou o reconhecimento do Pelourinho, como patrimônio da humanidade, porém reconhecido pela UNESCO, em 5 de novembro de 1985.</p>
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		<title>Escravos – As mãos e os Pés… (O cotidiano)</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 14:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Um pouco de História]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[escravatura]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>

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		<description><![CDATA[“No                                          pátio em que se encontra a casa-grande       [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1536" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/senzala.gif" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-cotidiano]'><img class="size-medium wp-image-1536" title="senzala" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/senzala-300x91.gif" alt="" width="300" height="91" /></a><p class="wp-caption-text">Uma senzala: sucessão de cubículos com divisórias internas, mas destituídos dos elementos que permitiam a intimidade. (Engenho Pimentel, São Sebastião do Passé)</p></div>
<p>“No                                          pátio em que se encontra a casa-grande                                          existem em geral dois edifícios                                          compridos, de construção                                          primitiva, as chamadas senzalas ou habitações                                          dos negros, onde os homens são                                          alojados separadamente das mulheres. Ao                                          longo dessas construções                                          estão as tarimbas, cerca de 3 pés                                          acima do chão, e no centro um corredor                                          bastante largo e alguns fogões                                          primitivos, nos quais os negros preparam                                          às vezes um ou outro prato simples                                          ao voltar do trabalho. Tais pratos suplementares                                          que os escravos preparam nos fogões                                          são peixe ou alguma caça                                          do mato, especialmente tatus, iguanas,                                          pacas, capivaras, cotias ou outros petiscos                                          de sua predileção. Os negros                                          gostam de reunir-se ao cair da noite ao                                          redor do fogo, fumando, palestrando e                                          gesticulando, em grande algazarra. As                                          tarimbas, das quais cada uma mede 2,5                                          a 3 pés de largura são separadas                                          uma da outra por uma divisão de                                          madeira de 3 pés de altura, tendo                                          na frente uma esteira ou cobertor para                                          tapar a entrada do lado do corredor. Cada                                          negro possui de 3 a 4 cobertores que usa                                          também como colchão, se                                          não prefere utilizar-se da esteira.                                          Um pequeno travesseiro completa a cama                                          primitiva.A tarimba é bastante comprida para                                          permitir colocar em sua extremidade um                                          baú no qual o respectivo dono guarda                                          os seus pertences. As senzalas possuem                                          janelas com grades, ou então, em                                          vez de janelas, uma abertura abaixo do                                          teta, a 12 pés acima do solo, que                                          permite a ventilação e a                                          iluminação suficiente para                                          todo o recinto. Atrás das senzalas                                          ficam as privadas, que são, às                                          vezes, substituídas por barricas                                          cheias de água até a metade,                                          e que, colocadas no corredor, são                                          diariamente esvaziadas e devidamente limpas.</p>
<div id="attachment_1538" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/fluminense.jpg" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-cotidiano]'><img class="size-medium wp-image-1538" title="fluminense" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/fluminense-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Senzala de fazenda fluminense. (Jean-Victor Frond)</p></div>
<p>As senzalas ficam abertas as 10 horas                                          da noite, havendo até lá,                                          um convívio misto nas mesmas. A                                          um sinal dado por uma campainha, os homens                                          e as mulheres se retiram, cada qual para                                          sua habitação, e o guarda                                          as fecha a chave, abrindo-as na manhã                                          seguinte, uma hora antes de iniciar-se                                          a tarefa diária. As crianças                                          menores dormem com as mães, as                                          maiores possuem suas tarimbas individuais,                                          dormindo em geral duas crianças                                          em cada uma. Os negros casados vivem em                                          recintos menores, devidamente separados.</p>
<p>(&#8230;)                                          Os trajes dos escravos são muito                                          simples – os homens usam calça                                          e camisa, as mulheres camisa e saia, tudo                                          feito de algodão grosso e resistente,                                          de fabricação nacional.                                          Uma ‘baieta’ de lã com forro de                                          algodão, um chapéu de palha                                          ou um barrete completam a indumentária.                                          Nas fazendas que primam pelo tratamento                                          dispensado aos negros, eles recebem três                                          camisas, três pares de calças                                          e os respectivos casacos, um chapéu,                                          um pano que geralmente é enrolado                                          na cabeça, e dois cobertores por                                          ano. Tal fornecimento representa um gasto                                          de 16 a 22 mil réis por cabeça.                                          (&#8230;) As mucamas recebem roupas mais finas.                                          O dinheiro que os escravos conseguem com                                          pequenos serviços avulsos é                                          geralmente gasto na aquisição                                          de bugigangas, uma ou outra peça                                          de roupa, fumo, doces, e se a ocasião                                          se oferece, na compra clandestina de cachaça.”(Johann Jakob von Tschudi.                                          Viagem às províncias do                                          Rio de Janeiro e São Paulo. Belo                                          Horizonte-Itatiaia; São Paulo-EDUSP,                                          1980. p. 56.)</p>
<div id="attachment_1539" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/fazenda.gif" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-cotidiano]'><img class="size-medium wp-image-1539" title="fazenda" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/fazenda-300x208.gif" alt="" width="300" height="208" /></a><p class="wp-caption-text">Pausa para a comida. (Jean-Victor Frond)</p></div>
<p>Dirigiam-se então ao paiol da fazenda,                                      onde pegavam ferramentas: enxadas, foices,                                      facões, peneiras e cestos. Uma parte                                      da escravaria permanecia na fazenda. Afora                                      os considerados incapacitados e doentes, era                                      constituída de cativos domésticos                                      e alguns com ocupações específicas.                                      Ali ficavam mucamas, lavadeiras, costureiras,                                      cozinheiras e demais empregadas no serviço                                      da casa-grande e os de ofícios especializados,                                      como ferreiros, carpinteiros, pedreiros, tropeiros                                      etc., que realizavam tarefas diversas no âmbito                                      das fazendas. Nas grandes fazendas de café,                                      como não poderia deixar de ser, a maior                                      parte dos escravos se ocupava do serviço                                      de roça. Esse era o trabalho do nosso                                      José, embora tivesse, depois da sua                                      chegada, aprendido alguma coisa de carpintaria.</p>
<p>Os escravos da roça seguiam para plantações                                      distantes numa grande caravana. O sol ainda                                      não estava firme, mas sim olhares vigilantes                                      dos feitores e capatazes, muitos dos quais                                      também podiam ser cativos. Conduziam                                      uma pequena carroça puxada por uma                                      junta de bois, levando caldeirões e                                      mantimentos para prepararem a refeição                                      no campo.<br />
As crianças, mesmo bem pequenas, muitas                                      vezes acompanhavam seus pais. Era comum as                                      mulheres carregarem seus filhos para as plantações,                                      podendo também os recém-nascidos                                      ficar na sede da fazenda sob os cuidados de                                      alguns velhos, aleijados ou avaliados como                                      incapazes para o trabalho no eito. Era, por                                      exemplo, a rotina das africanas Florinda,                                      Diolinda, Narciza, Luiza, Emerenciana e outras                                      tantas, que levavam seus filhos menores diariamente                                      para a roça. A mortalidade infantil                                      era altíssima e José conheceu                                      dezenas de crianças que não                                      passaram dos primeiros meses.</p>
<div id="attachment_1540" class="wp-caption alignleft" style="width: 186px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/cafe.gif" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-cotidiano]'><img class="size-medium wp-image-1540" title="cafe" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/cafe-176x300.gif" alt="" width="176" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Uma escrava colhendo café. (Christiano Jr., c. 1865, Rio de Janeiro)</p></div>
<p>Na                                      lavoura todos eram redistribuídos em                                      grupos, sendo destacados para partes diversas                                      dos cafezais. Passava pouca coisa das seis                                      horas da manhã. Separados num sistema                                      de trabalho por &#8220;gangs&#8221; ou turmas,                                      denominado &#8220;corte&#8221; e &#8220;beirada&#8221;,                                      os cativos considerados mais aptos, sempre                                      os jovens e mais robustos, eram escolhidos                                      para ditar o ritmo da colheita. Quatro trabalhadores                                      colocados na beirada dos cafezais, sendo o                                      cortador e o contra-cortador de um lado e                                      o beirador e o contra-beirador do outro. Os                                      mais velhos e lentos colocados no meio. Homens                                      e mulheres na mesma turma. Colhiam em média                                      cinco a sete alqueires diariamente. Não                                      demorou muito José percebeu que os                                      ritmos do trabalho não tinham somente                                      os sons do chicote e da gritaria imposta pelos                                      feitores. Aprendeu e logo se animava com os                                      vissungos, cantigas africanas. Sob formas                                      de versos cifrados, repetidos refrões                                      e com significados simbólicos, também                                      serviam como senhas, por meio das quais resenhavam                                      suas vidas e expectativas e mesmo avisavam                                      uns aos outros sobre a aproximação                                      de um feitor. O &#8220;ngoma&#8221; -como diziam-                                      podia estar perto. A despeito da violência                                      e péssimas condições,                                      tentar definir alguns sons e ritmos do trabalho                                      era uma face fundamental da organização                                      de suas próprias vidas escravas.</p>
<div id="attachment_1541" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/cozinhando.jpg" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-cotidiano]'><img class="size-medium wp-image-1541" title="cozinhando" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/cozinhando-300x240.jpg" alt="" width="300" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Escravas cozinhando na roça, Rio de Janeiro. (Jean-Victor Frond)</p></div>
<p>Alguns eram destacados para prepararem as                                      refeições coletivas no campo.                                      Dez horas da manhã; ou um pouco mais                                      tarde: uma pausa. O almoço. Formavam                                      fila em frente a um rancho improvisado que                                      servia de cozinha. Recebiam em pequenas cuias                                      refeições, constituídas                                      de angu -a base da alimentação                                      escrava- e um pouco de feijão temperado                                      com pedaços de toucinho e gordura de                                      porco. Não raro alguns legumes, como                                      batata-doce e abóbora, e farinha de                                      mandioca. Muitas escravas aproveitavam para                                      amamentar seus filhos. O total da pausa não                                      durava uma hora. Logo retornavam ao trabalho                                      e só bem mais tarde havia outro breve                                      intervalo.</p>
<p>Na ocasião, sem se afastarem dos locais                                      da colheita, recebiam um pouco de café,                                      substituído nos dias frios e chuvosos                                      por pequenas doses de aguardente. O trabalho                                      continuava até às 16h, quando                                      era servido o jantar, via de regra a sobra                                      do angu do almoço. Essas cenas cotidianas                                      foram desenhadas por Victor Frond e posteriormente                                      acompanharam como litografias a publicação                                      dos relatos de viagens de Charles Ribeyrolles.</p>
<div id="attachment_1542" class="wp-caption alignright" style="width: 226px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/escravas2.jpg" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-cotidiano]'><img class="size-medium wp-image-1542" title="escravas2" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/escravas2-216x300.jpg" alt="" width="216" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Escravas descansando após o trabalho, Rio de Janeiro. (Jean-Victor Frond)</p></div>
<p>ra                                      também nesse longo dia de penoso e                                      extenuante trabalho que os cativos, castigados                                      pelo sol escaldante, pelos espinhos dos arbustos                                      de café ou pelo chicote dos feitores                                      truculentos, procuravam formas diversas de                                      socialização. O castigo era                                      uma realidade que rondava. Mas aproveitando                                      uma fugidia frouxidão na vigilância,                                      conversavam a respeito de seu cotidiano, alimentando                                      sonhos de melhores dias. Ao escurecer, quase                                      às 19h nos dias de verão, preparavam-se                                      para voltar à fazenda. Novamente formavam                                      fila em frente ao terreiro e reuniam-se aos                                      que tinham permanecido trabalhando na sede                                      da fazenda. Retornariam às senzalas.                                      A jornada de trabalho podia continuar madrugada                                      adentro na separação e ensacamento                                      dos grãos de café colhidos.                                      À noite, em torno das pequenas fogueiras                                      que mantinham &#8211; nunca apagavam as brasas!                                      &#8211; no interior das senzalas, o cansaço                                      dominava absoluto. Uma esperança renovada                                      semanalmente surgia nas vésperas dos                                      domingos. Poderiam cultivar suas roças                                      próprias, produzindo alimentos para                                      seu consumo. Eram concessões senhoriais                                      que souberam transformar em conquistas e direitos                                      costumeiros, podendo obter recursos extras                                      com a comercialização dos excedentes.                                      Nos dias santos promoviam seus jongos e caxambus.                                      Alimentavam tanto seus espíritos como                                      os daqueles não mais presentes.</p>
<p>Talvez na mente destes trabalhadores escravizados                                      tais jornadas tenham sido longos dias-noites                                      que nunca terminavam&#8230;. como a história                                      do trabalho. Sem fim.&#8221;(Flávio                                        Gomes é historiador e professor da                                        Universidade Federal do Rio de Janeiro.                                        Publicado no jornal Folha de São                                        Paulo)</p>
<div id="attachment_1543" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/jantar.jpg" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-cotidiano]'><img class="size-medium wp-image-1543" title="jantar" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/jantar-300x203.jpg" alt="" width="300" height="203" /></a><p class="wp-caption-text">Jantar. (Debret)</p></div>
<p>“Grande                                      parte da população escrava do                                      Rio de Janeiro acha-se empregada em serviços                                      domésticos, com pessoas ricas ou de                                      posição. É um artigo                                      de luxo, inerente antes à vaidade do                                      senhor do que às necessidades da casa.                                      Esses escravos usam librés fora de                                      moda que, acrescidas aos turbantes e penteados                                      esdrúxulos, fazem deles verdadeiras                                      caricaturas. Têm pouco trabalho, às                                      vezes nenhum; sua alimentação                                      é boa; são, em resumo seres                                      tão inúteis quanto os criados                                      dos grandes senhores da Europa (&#8230;) Os escravos                                      das grandes cidades, em sua maioria, são                                      obrigados a pagar semanalmente, às                                      vezes diariamente, determinada importância                                      a seus senhores, importância que procuram                                      ganhar pela prática de qualquer profissão:                                      são marceneiros, seleiros, alfaiates,                                      marinheiros, carregadores etc. Assim, conseguem                                      eles ganhar facilmente mais do que lhes exige                                      o senhor e, com um pouco de economia, em nove                                      ou dez anos, adquirem, sem dificuldade sua                                      liberdade. Se isso não acontece, tão                                      amiudamente quanto seria de imaginar, é                                      porque os negros têm predisposição                                      para a prodigalidade, principalmente em matéria                                      de roupas, de tecidos de cores vivas e de                                      fitas.</p>
<div id="attachment_1544" class="wp-caption alignright" style="width: 195px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/ganho.gif" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-cotidiano]'><img class="size-medium wp-image-1544" title="ganho" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/ganho-185x300.gif" alt="" width="185" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Um escravo de ganho podia ter meios para vestir calças bem-postas, paletó de veludo, portar anel, relógio de algibeira e chapéu-coco. Mas tinha de andar descalço, sinal do seu estatuto de escravo. (Foto de Christiano Jr, c. 1860)</p></div>
<p>Dissipam,                                      com isso, quase tudo o que ganham. Gozam em                                      geral de muita liberdade e sua existência                                      é bastante suportável, pois                                      têm o dia inteiro disponível                                      para tratar de seus negócios, bastando-lhes                                      recolherem-se à noite; seus senhores                                      só se preocupam com eles na medida                                      em que se faz necessário para assegurar                                      a cobrança e hebdomadária. De                                      manhã, antes de sua partida, e de noite,                                      ao voltarem dão-lhes farinha de mandioca                                      e feijão; quanto à alimentação                                      do dia, cabe-lhes consegui-la. Também                                      se vêem mulheres escravas ganhar a vida                                      do mesmo modo; fazem-se amas, lavadeiras,                                      floristas, ou quitandeiras.</p>
<p>(&#8230;) Dir-se-ia que após os trabalhos                                      do dia, os mais barulhentos prazeres produzem                                      sobre o negro o mesmo efeito que o repouso.                                      À noite, é raro encontrarem-se                                      escravos reunidos que não estejam animados                                      por cantos e danças; dificilmente se                                      acredita que tenham executado, durante o dia,                                      os mais duros trabalhos, e não conseguimos                                      nos persuadir de que são escravos que                                      temos diante dos olhos.</p>
<p>dança habitual do negro é o                                      batuque. Apenas se reúnem alguns negros                                      e logo se ouve a batida cadenciada das mãos;                                      é o sinal de chamada e de provocação                                      à dança. O batuque é                                      dirigido por um figurante; consiste em certos                                      movimentos do corpo que talvez pareçam                                      demasiado expressivos; são principalmente                                      as ancas que se agitam, enquanto o dançarino                                      faz estalar a língua e os dedos, acompanhando                                      um canto monótono, os outros fazem                                      círculo em volta dele e repetem o refrão.</p>
<p>Outra dança negra muito conhecida é                                      o ‘lundu’ também dançada pelos                                      portugueses, ao som do violino, por um ou                                      mais pares. Talvez o ‘fandango’, ou o ‘bolero’,                                      dos espanhóis, não passem de                                      uma imitação aperfeiçoada                                      dessa dança.</p>
<p>Acontece muitas vezes que os negros dançam                                      sem parar noites inteiras, escolhendo, por                                      isso, de preferência, os sábados                                      e as vésperas dos dias santos.</p>
<div id="attachment_1545" class="wp-caption alignleft" style="width: 297px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/lundu1.jpg" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-cotidiano]'><img class="size-medium wp-image-1545" title="lundu1" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/lundu1-287x300.jpg" alt="" width="287" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Lundu. (Rugendas)</p></div>
<p>É                                      preciso mencionar, também, uma espécie                                      de dança militar: dois grupos armados                                      de paus colocam-se um em frente do outro e                                      o talento consiste em evitar os golpes da                                      ponta do adversário. Os negros têm                                      ainda um outro folguedo guerreiro, muito mais                                      violento, a ‘capoeira’: dois campeões                                      se precipitam um contra o outro, procurando                                      dar com a cabeça no peito do adversário                                      que desejam derrubar. Evita-se o ataque com                                      saltos de lado e paradas igualmente hábeis;                                      mas, lançando-se um contra o outro                                      mais ou menos como bodes, acontece-lhes chocarem-se                                      fortemente cabeça contra cabeça                                      o que faz com que a brincadeira não                                      raro degenere em briga e que as facas entrem                                      em jogo ensanguentando-a.”(Johann-Moritz Rugendas.                                        Viagem pitoresca através do Brasil.                                        São Paulo, Martins-EDUSP, 1972. pp.                                        147-157.)</p>
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		<title>Escravos – As mãos e os Pés… (O trabalho)</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 14:05:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Um pouco de História]]></category>
		<category><![CDATA[escravatura]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[escravos]]></category>
		<category><![CDATA[Quilombo]]></category>
		<category><![CDATA[Zumbi dos Palmares]]></category>

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		<description><![CDATA[“Era                                          a época da colheita e o espetáculo       [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1532" class="wp-caption alignleft" style="width: 252px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/pilando.jpg" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-trabalho]'><img class="size-medium wp-image-1532" title="pilando" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/pilando-242x300.jpg" alt="" width="242" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Pilando café. (Jean-Victor Frond)</p></div>
<p>“Era                                          a época da colheita e o espetáculo                                          que tínhamos diante dos olhos era                                          verdadeiramente pitoresco. Os pretos,                                          homens e mulheres, estavam espalhados                                          pela plantação, trazendo                                          às costas amarrados às suas                                          roupas uma espécie de cesto feito                                          de caniços e bambus. Dentro dele                                          é que amontoavam os grãos                                          de café, uns vermelhos e brilhantes                                          como cerejas frescas, outros já                                          escuros e meio ressequidos, e, de quando                                          em vez, alguns ainda verdes, não                                          de todo maduros, mas não devendo                                          tardar em amadurecer sobre o solo abrasado                                          do terreiro. Pretinhos pequenos sentados                                          na terra ao pé dos arbustos ajuntavam                                          as cerejas caídas, cantando um                                          estribilho monótono que tem sua                                          harmonia e seu encanto; um deles faz o                                          canto e os outros o acompanham. Uma vez                                          cheios os cestos, vão mostrá-los                                          ao administrador que lhes dá uma                                          ficha de metal onde está marcado                                          o valor da tarefa executada. Cada qual                                          deve uma quantidade certa de trabalho:                                          tanto por homem, tanto por mulher, tanto                                          por criança, e cada qual é                                          pago do excedente que produz: o que se                                          exige deles é verdadeiramente moderado                                          e aqueles que não são preguiçosos                                          podem facilmente juntar um pequeno pecúlio.                                          Todas as tardes eles entregam as fichas                                          recebidas no decorrer do dia e recebem                                          o valor do excedente de trabalho livremente                                          executado. Do terreno em que se procedia                                          a colheita, nós acompanhávamos                                          os carrinhos até o lugar em que                                          o seu conteúdo é esvaziado.                                          Aí os negros dividem em lotes a                                          colheita do dia e arrumam em pequenos                                          montículos no terreiro, onde ainda                                          recebe por algum tempo os raios do sol”.</p>
<p>(Luís e Elizabeth                                          Agassiz. Viagem ao Brasil (1865- 1866).                                          São Paulo, Cia. Ed. Nacional, 1938.                                          p. 157.)</p>
<p>“(&#8230;)                                      Contam-se nesta propriedade [Fazenda dos Pinheiros]                                      cerca de dois mil escravos, dos quais trinta                                      empregados no serviço doméstico.                                      A habitação contém tudo                                      o que é necessário às                                      exigências duma tão numerosa                                      população: há uma farmácia                                      e um hospital, cozinhas para os hóspedes                                      e para os negros, uma capela, um padre, um                                      médico (&#8230;) A dona da casa nos fez                                      visitar, certa manhã, as diversas salas                                      de trabalho. A que mais nos interessou foi                                      aquela em que as meninas aprendem costura.                                      (&#8230;) Aqui todas as meninas aprendem a costurar                                      muito bem e muitas delas bordam e fazem renda                                      com perfeição. Em frente a essa                                      sala, vimos uma oficina de roupas (&#8230;) com                                      suas peças de lã ou de algodão,                                      que as negras cortam e costuram para os trabalhadores                                      do campo. As cozinhas, as oficinas e os quartos                                      dos negros circundam um páteo espaçoso                                      plantado de árvores e arbustos em volta                                      do qual há uma passagem coberta, calçada                                      de tijolos. Aí os pretos, jovens e                                      velhos, pareciam um formigueiro, desde a velha                                      ressequida que se gabava ela mesma de ter                                      cem anos, mas não mostrava com menor                                      orgulho o seu fino trabalho de renda e corria                                      como uma menina para que se visse como era                                      ainda ativa, até os pequerruchos todos                                      nus que engatinhavam a seus pés.<br />
(&#8230;) No fim da noite os músicos foram                                      introduzidos nas salas e tivemos um espetáculo                                      de dança, dado por negrinhos que eram                                      dos mais cômicos. Como uns diabretes,                                      dançavam com tal rapidez de movimentos,                                      com tal animação de vida e de                                      alegria espontânea que era impossível                                      não os acompanhar.”</p>
<p>(Luís                                        e Elizabeth Agassiz. Viagem ao Brasil (1865-1866).                                        São Paulo, Cia. Ed. Nacional, 1938.                                        pp. 164-165.)</p>
<p>“Assim,                                      os escravos como as escravas se ocupam no                                      corte da cana; porém, comumente os                                      escravos cortam e as escravas amarram os feixes.                                      Consta o feixe de doze canas, e tem por obrigação                                      cada escravo cortar num dia sete mãos                                      de dez feixes por cada dedo, que são                                      trezentos e cinqüenta feixes e a escrava                                      há de amarrar outros tantos com os                                      olhos da mesma cana; e, se lhes sobejar tempo,                                      será para o gastarem livremente no                                      que quiserem. (&#8230;) E o contar a tarefa do                                      corte, como está dito, por mãos                                      e dedos, é para se acomodar à                                      rudeza dos escravos boçais, que de                                      outra sorte não entendem, nem sabem                                      contar.<br />
O modo de cortar é o seguinte: pega-se                                      com a mão esquerda em tantas canas                                      quantas pode abarcar, e com a direita armada                                      de fouce se lhe tira a palha, a qual depois                                      se queima ou pela madrugada, ou já                                      de noite, quando, acalmando, o vento der para                                      isso lugar, e serve para fazer a terra mais                                      fértil; logo, levantando mais acima                                      a mão esquerda, batam-se fora com a                                      fouce os olhos da cana, e estes dão-se                                      aos bois a comer; e ultimamente, tornando                                      com a esquerda mais abaixo, corta-se rente                                      ao pé, e quanto a fouce for mais rasteira                                      à terra, melhor. Quem segue ao que                                      corta (que comumente é uma escrava)                                      ajunta as canas limpas, como está dito,                                      em feixes, a doze por feixe, e com os olhos                                      dela os vai atando; e assim atados, vão                                      nos carros ao porto, ou se o engenho for pela                                      terra dentro, chega o carro à moenda.<br />
(&#8230;)<br />
O                                      lugar de maior perigo que há no engenho                                      é o da moenda, porque, se por desgraça                                      a escrava que mete a cana entre os eixos,                                      ou por força do sono, ou por cansada,                                      ou por qualquer outro descuido, meteu desatentamente                                      a mão mais adiante do que devia, arrisca-se                                      a passar moída entre os eixos, se lhe                                      não cortarem logo a mão ou o                                      braço apanhado, tendo para isso junto                                      da moenda um facão, ou não forem                                      tão ligeiros em fazer parar a moenda                                      (&#8230;)<br />
As escravas de que necessita a moenda, ao                                      menos, são sete ou oito, a saber: três                                      para trazer a cana, uma para a meter, outra                                      para passar o bagaço, outra para consertar                                      e acender as candeias, que na moenda são                                      cinco, e para alimpar o cacho do caldo (a                                      quem chamam cocheira ou calumbá) e                                      os aguilhões da moenda e refrescá-los                                      com água para que não ardam,                                      servindo-se para isso do parol da água,                                      que tem debaixo do rodete, e outra, finalmente,                                      para botar fora o bagaço, ou no rio,                                      ou na bagaceira, para se queimar a seu tempo.                                      E, se for necessário botá-lo                                      em parte mais distante, não bastará                                      uma só escrava, mas haverá mister                                      outra que a ajude, porque, de outra sorte,                                      não se daria vazão a tempo,                                      e ficaria embaraçada a moenda.<br />
(&#8230;)</p>
<p>Junto                                      à casa da moenda, que chamam casa do                                      engenho, segue-se a casa das fornalhas, bocas                                      verdadeiramente tragadoras de matos, cárcere                                      de fogo e fumo perpétuo e viva imagem                                      dos vulcões, Vesúvios e Etnas                                      e quase disse, do Purgatório ou do                                      Inferno. Nem faltam perto destas fornalhas                                      seus condenados, que são os escravos                                      boubentos e os que têm corrimentos,                                      obrigados a esta penosa assistência                                      para purgarem com suor violento os humores                                      gálicos de que têm cheios seus                                      corpos. Vêem-se aí, também,                                      outros escravos, facinorosos, que, presos                                      em compridas e grossas correntes de ferro,                                      pagam neste trabalhoso exercício os                                      repetidos excessos de sua extraordinária                                      maldade, com pouca ou nenhuma esperança                                      de emenda.”</p>
<p>(André                                        João Antonil. Cultura e opulência                                        do Brasil. 3. ed., Belo Horizonte-Itatiaia,                                        São Paulo-EDUSP, 1982. pp. 106, 112,                                        115.)</p>
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		<title>Escravos – As mãos e os Pés… (O mercado)</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 13:42:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Um pouco de História]]></category>
		<category><![CDATA[escravatura]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[escravos]]></category>
		<category><![CDATA[negro escravo]]></category>

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		<description><![CDATA[“O                                          lugar onde fica situado o grande mercado       [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1524" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/valongo.jpg" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-mercado]'><img class="size-medium wp-image-1524" title="valongo" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/valongo-300x231.jpg" alt="" width="300" height="231" /></a><p class="wp-caption-text">Mercado da rua do Valongo. (Debret)</p></div>
<p>“O                                          lugar onde fica situado o grande mercado                                          de escravos é uma rua comprida                                          e sinuosa, chamada Valongo, que vai da                                          beira-mar até a extremidade nordeste                                          da cidade. Quase todas as casas dessa                                          rua são depósitos de escravos                                          que ali ficam à espera de seus                                          compradores. Esses depósitos ocupam                                          os dois lados da rua, e ali as pobres                                          criaturas são expostas à                                          venda como qualquer outra mercadoria.                                          Quando chega um comprador, eles são                                          trazidos à sua presença,                                          sendo por este examinados e apalpados                                          em qualquer parte do corpo, exatamente                                          como já vi açougueiros fazerem                                          com os bois. O exame todo se restringe                                          apenas à avaliação                                          da capacidade física do escravo,                                          sem a menor preocupação                                          quanto às suas qualidades morais,                                          que interessam tanto ao comprador quanto                                          se ele estivesse adquirindo um cão                                          ou um burro. Freqüentemente tive                                          a oportunidade de ver senhoras brasileiras                                          nesses mercados. Elas chegam, sentam-se,                                          examinam e apalpam suas aquisições                                          e as levam consigo, com a mais profunda                                          indiferença. Muitas vezes vi aqui                                          grupos de senhoras bem vestidas comprando                                          escravos com a mesma animação                                          com que senhoras inglesas fazem compras                                          nos bazares.</p>
<div id="attachment_1525" class="wp-caption alignright" style="width: 207px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/contrato.gif" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-mercado]'><img class="size-medium wp-image-1525" title="contrato" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/contrato-197x300.gif" alt="" width="197" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">No recibo de compra e venda de escravos, uma vinheta mostra os senhores decidindo o destino de um casal.</p></div>
<p>(&#8230;)                                          Os depósitos consistem de espaços                                          cômodos onde, às vezes, ficam                                          em exposição 300 a 400 escravos                                          de ambos os sexos e de todas as idades.                                          À volta do aposento há vários                                          bancos, ocupados geralmente pelos velhos;                                          no centro ficam os mais jovens, principalmente                                          as mulheres, que ficam acocoradas no chão                                          formando um grupo compacto, com as mãos                                          e o queixo apoiados nos joelhos. Seu corpo                                          é coberto apenas por uma faixa                                          de tecido de algodão quadriculado,                                          atado à volta da cintura.</p>
<p>Quando                                          passei por essa rua pela primeira vez,                                          parei para olhar através das grades                                          de uma janela; apareceu então um                                          cigano e insistiu para que eu entrasse.                                          Senti-me atraído por um grupo de                                          crianças, uma das quais, uma menina,                                          tinha um ar triste e cativante. Ao me                                          ver olhando para ela, o cigano a fez levantar-se                                          dando-lhe uma lambada com uma comprida                                          vara, e lhe ordenou com voz áspera                                          que se aproximasse. Era desolador ver                                          a pobre criança de pé à                                          minha frente, toda encolhida, em tal estado                                          de solidão e desamparo que era                                          difícil conceber como pode chegar                                          àquela situação um                                          ser que, assim como eu, é dotado                                          de uma mente racional e uma alma imortal.                                          Algumas meninas tinham um ar muito doce                                          e cativante. Apesar de sua pele escura,                                          havia tanto recato, delicadeza e cordura                                          nos seus modos que era impossível                                          deixar de reconhecer que eram dotadas                                          dos mesmos sentimentos e da mesma natureza                                          das nossas filhas. O vendedor preparava-se                                          para colocar a menina em várias                                          posições e exibi-la da mesma                                          maneira como faria com um homem, mas eu                                          declinei da exibição e ela                                          retornou timidamente ao seu lugar, parecendo                                          contente por poder se esconder no meio                                          do grupo.</p>
<div id="attachment_1528" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/escravas.gif" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-mercado]'><img class="size-medium wp-image-1528" title="escravas" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/escravas-300x194.gif" alt="" width="300" height="194" /></a><p class="wp-caption-text">Escravas negras de diferentes nações. (Debret)</p></div>
<p>(&#8230;)                                          Os homens eram geralmente figuras menos                                          interessantes do que as mulheres. Suas                                          fisionomias e a tonalidade de sua pele                                          variavam de acordo com a parte da costa                                          africana. Alguns eram negros como fuligem,                                          e uma certa ferocidade no seu aspecto                                          indicava a presença de sentimentos                                          fortes e passionais como se remoessem                                          sobriamente em seu íntimo as ofensas                                          muito graves que lhes haviam sido feitas                                          e planejassem vingança. Quando                                          um deles era chamado, ele se aproximava                                          com sombria indiferença, levantava                                          os braços, batia os pés,                                          gritava para mostrar o vigor de seus pulmões,                                          corria para lá e para cá                                          no aposento – em suma, era tratado exatamente                                          como se fosse um cavalo sendo exibido                                          numa exposição e que depois                                          é mandado de volta à baia                                          com uma chicotada. A cabeça dos                                          escravos, tanto masculinos quanto femininos,                                          era raspada, sendo deixado apenas um tufo                                          de cabelos na frente. Algumas das mulheres                                          usavam lenços de algodão                                          amarrados na cabeça, enfeitados                                          com conchas e sementes nativas, o que                                          lhes dava uma aparência muito graciosa.                                          Um certo número deles, principalmente                                          os homens sofriam de uma erupção                                          na pele, que ficava com manchas esbranquiçadas                                          e tinha um aspecto asqueroso, lembrando                                          lepra. Entretanto, a erupção                                          era considerada um saudável esforço                                          do organismo para se livrar do sal dos                                          mantimentos consumidos durante a viagem;                                          e, de fato, seu aspecto lembrava exatamente                                          uma concreção salina. Muitos                                          deles se achavam estirados sobre as tábuas                                          nuas do assoalho; viam-se também                                          muitas mães com os filhos ao peito,                                          mostrando-se elas profundamente apegadas                                          a eles. Todos estavam condenados a permanecer                                          ali, como ovelhas no redil, até                                          serem vendidos. Não dispunham de                                          um quarto para o qual se recolhessem,                                          nem de cama onde repousassem, nem de uma                                          coberta que os agasalhasse. Permaneciam                                          sentados ali, nus, o dia inteiro, e à                                          noite se estiravam nus sobre as tábuas                                          do assoalho ou sobre os bancos.”</p>
<p>(Robert Walsh. Notícias                                          do Brasil (1828-18299). Belo Horizonte-Itatiaia,                                          São Paulo-EDUSP, 1985. vol. 2,                                          p. 152.)</p>
<p><img src="http://www.cliohistoria.hpg.com.br/imagens/x.gif" alt="" width="8" height="8" /></p>
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		<title>Escravos – As mãos e os Pés… (O tráfico)</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 13:18:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Um pouco de História]]></category>
		<category><![CDATA[escravatura]]></category>
		<category><![CDATA[escravocrata]]></category>
		<category><![CDATA[escravos]]></category>

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		<description><![CDATA[“Embarcam-se,                                          anualmente, cerca de 120.000 negros da        [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1507" class="wp-caption alignleft" style="width: 172px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/navio.gif" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-trafico]'><img class="size-medium wp-image-1507" title="navio" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/navio-162x299.gif" alt="" width="162" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Disposição da &quot;carga&quot; nos navios negreiros. </p></div>
<p>“Embarcam-se,                                          anualmente, cerca de 120.000 negros da                                          Costa da África, unicamente para                                          o Brasil, e é raro chegarem a seu                                          destino mais de 80 a 90 mil. Perde-se,                                          portanto, cerca de 1/3 durante uma travessia                                          de dois meses e meio a 3 meses. Reflita-se                                          sobre a impressão cruel do negro                                          diante da separação violenta                                          de tudo que lhe é caro, sobre os                                          efeitos do mais profundo abatimento ou                                          a mais terrível exaltação                                          de espírito unidos às privações                                          do corpo e aos sofrimentos da viagem,                                          e nada terão de estranho tão                                          incríveis resultados. Esses infelizes                                          são amontoados num compartimento                                          cuja altura raramente ultrapassa 5 pés.                                          Esse cárcere ocupa todo o comprimento                                          e a largura do porão do navio;                                          aí são eles reunidos em                                          número de 200 a 300, de modo que                                          para cada homem adulto se reserva apenas                                          um espaço de 5 pés cúbicos.                                          Certos relatórios oficiais apresentados                                          ao parlamento, a respeito do tráfico                                          no Brasil permitem afirmar que no porão                                          de muitos navios o espaço disponível                                          para cada indivíduo se reduz a                                          4 pés cúbicos c a altura                                          da ponte não ultrapassa tampouco                                          4 pés. Os escravos são aí                                          amontoados de encontro às paredes                                          do navio e em torno do mastro; onde quer                                          que haja lugar para uma criatura humana,                                          e qualquer que seja a posição                                          que se lhe faça tomar, aproveita-se.                                          O mais das vezes, as paredes comportam,                                          a meia altura, uma espécie de prateleira                                          de madeira sobre a qual jaz uma segunda                                          camada de corpos humanos. Todos, principalmente,                                          nos primeiros tempos de travessia, têm                                          algemas nos pés e nas mãos                                          e são presos uns aos outros por                                          uma comprida corrente.</p>
<p>Acrescentamos a essa deplorável                                          situação, o calor ardente                                          do Equador, as fúrias das tempestades                                          e a alimentação, a que não                                          estão acostumados, de feijão                                          e carne salgada, a falta d’água,                                          finalmente, conseqüência quase                                          sempre inevitável da cobiça                                          em virtude da qual se aproveita o menor                                          espaço para tornar a carga mais                                          rica, e teremos a razão da enorme                                          mortalidade a bordo dos navios negreiros.                                          Às vezes acontece ficar um cadáver                                          vários dias entre os vivos. A falta                                          d’água é a causa mais freqüente                                          das revoltas dos negros; mas, ao menor                                          sinal de sedição, não                                          sc distingue ninguém; fazem-se                                          impiedosas descargas de fuzil nesse antro                                          atravancado de homens, mulheres e crianças.                                          Acontece que, desvairados pelo desespero,                                          os negros furiosos se atiram contra seus                                          companheiros ou rasgam cm pedaços                                          seus próprios membros.”</p>
<p>(Johann-Moritz Rugendas.                                          Viagem pitoresca através do Brasil.                                          São Paulo, Martins-EDUSP, 1972.                                          p. 136.)</p>
<div id="attachment_1520" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/navio.jpg" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-trafico]'><img class="size-medium wp-image-1520" title="navio" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/navio-300x182.jpg" alt="" width="300" height="182" /></a><p class="wp-caption-text">Navio negreiro. À direita, o corpo de um negro, possivelmente morto, é retirado; no centro, outro negro pede água ou comida. (Rugendas)</p></div>
<p>&#8220;Quando                                      a escravatura trazida de muitas partes chega                                      aos portos marítimos da África,                                      aí é segunda vez permutada por                                      fazenda e gêneros a comerciantes, que                                      ali têm casa de negócio assentada                                      para este fim: fazendo a escravatura sua por                                      este troco, a conservam por tempo em o mesmo                                      libambo; e quando assim não são                                      conservados os escravos, são metidos                                      em um pátio seguro, de altas paredes,                                      que não podem pela mesma escravatura                                      ser saltadas, ficando ali ao tempo; e de noite                                      há um telheiro, ou armazém também                                      térreos onde é recolhida.</p>
<p>A ração lhe continua a ser escassa                                      do mesmo modo, e sem tempero, à exceção                                      do sal, que em os portos marítimos                                      já há em maior abundância:                                      o alimento se reduz ao feijão umas                                      vezes, a outras ao milho, outras ao feijão                                      misturado com o milho por variedade. Ajuntando-lhe                                      demais à comida uma pequena parte de                                      peixe salgado, de que abunda o Reino de Angola                                      pela extração do azeite. Por                                      variedade lhe costumam dar a savelha, peixe                                      miúdo e barato, muito mais do que entre                                      nós a sardinha: mas prejudica à                                      saúde, e com tanta infalibilidade,                                      que os habitantes estabelecidos em aqueles                                      portos dele se abstêm pelo reconhecido                                      prejuízo que lhes causa.</p>
<p>Por se achar a escravatura vizinha ao mar,                                      a mandam em pelotões, a que chamam                                      lotes, lavar ao mar. Com a escravatura não                                      despendem vestuário algum, porque lhe                                      fazem conservar o pouco que ela traz: e se                                      este lhe falta, permanece quase nua; porque                                      não querem entrar com ela em despesa,                                      tanto por se persuadirem, que a escravatura                                      lhes fica mais cara, como porque cada hora                                      a esperam negociar com aqueles que a hão                                      de transportar para o Brasil.</p>
<p>Nesta situação, e economia se                                      conserva por semanas, e por meses a escravatura,                                      e é grande a quantidade dela que morre;                                      de sorte, que descendo a Luanda em cada um                                      ano de dez a doze mil escravos, muitas vezes                                      sucede que só chegam a ser transportados                                      de seis a sete mil para o Brasil. Entrando-se                                      neste cálculo por toda a Costa de Leste,                                      ele não é bastante para desenganar                                      aos comissários, que ali há                                      de estadia negociando em escravatura; de que                                      o mau trato, que se lhe continua quando ela                                      chega cansada, e destroçada de uma                                      tão longa viagem, é a causa                                      de tanta mortandade. Seria proveitoso a eles,                                      e a esta porção de humanidade                                      desgraçada, que em vez de negociarem                                      anualmente cada um deles em quinhentos a seiscentos                                      escravos, e até mil, negociassem em                                      muito menor número, e os escravos fossem                                      tratados, como deviam ser; pois que não                                      podem existir, e durar, faltando-lhes com                                      o preciso.</p>
<p>Como porém aquele giro de comércio                                      se chama florente, uma vez que recebem a escravatura,                                      e logo a passam aos que ali em navios vão                                      negociar, e permutar escravos; não                                      se atende pela maior parte aos cômodos                                      da mesma escravatura, e conservação                                      da saúde dela.</p>
<p>Esta porção de escravatura,                                      que se vai apurando de mão em mão,                                      com resistência a tantos contratempos,                                      de que vai escapando pela força da                                      robustez; entregue aos capitães dos                                      navios, que por último a permutam,                                      é metida, e fechada debaixo da escotilha                                      do navio transportador. Estes querendo adiantar                                      também os seus interesses, se propõem                                      a três fins: 1º o de permutar e                                      de fazer sua a escravatura pelo mais barato                                      que possa ser; 2º o de meter, e o de                                      transportar em um navio, quanto lhes seja                                      possível, a maior porção                                      dela; 3º que com ela se despenda o menos,                                      que possa ser no seu transporte.</p>
<p>Metidos os pretos escravos debaixo de escotilha,                                      e aferrolhados, ainda aí se observa                                      a maior força da sua robustez; porque                                      ai lhes entra a faltar tudo, muito mais do                                      que em terra. Em primeiro lugar sendo metidos                                      duzentos, e trezentos escravos na coberta,                                      e na escotilha, lhes falta a respiração;                                      porque nada mais tem por onde o ar se lhes                                      possa comunicar, senão pela grade da                                      escotilha, e por umas pequenas frestas.<br />
Em segundo lugar a escravatura embarcada tem                                      uma curtíssima ração                                      de água, e esta amornada pela ardência                                      do clima; e é em tanto extremo a necessidade,                                      que experimenta deste gênero, que a                                      sede, que padece, dá causa a suscitarem-se                                      diversas queixas epidêmicas: e depois                                      de alguns dias de viagem, se entra a deitar                                      escravatura ao mar.<br />
Em terceiro lugar são maltratados os                                      escravos, porque têm uma escassa ração                                      de mantimentos, e pela maior parte de torna-viagem.                                      Os referidos mantimentos não discrepam                                      do feijão, do milho, e da farinha de                                      pau, tudo malfeita, e intemperado para tantos;                                      ajuntando-se-lhe apenas em cada ração                                      uma pequena porção daquele mesmo                                      peixe nocivo da Costa da África, que                                      já vem derrancado pelo decurso da viagem                                      [...]<br />
Há portanto pois anualmente um sem-número                                      de escravos transportados de toda a Costa                                      da África ao Brasil; parece que refolgando                                      a humanidade oprimida, seria um dia de triunfo,                                      de glória, e de prazer para a mesma                                      humanidade, que escapando a tantos perigos                                      entrava no cristianismo, no centro, e na unidade                                      da Igreja: porém assim não sucede,                                      porque não sei se diga, que o remanescente                                      de seus dias é mais desgraçado.<br />
Desembarcada esta grande porção                                      de escravatura na América, é                                      conduzida para casa do comum senhor, que também                                      o é do navio, e de toda a negociação.                                      Ali para ser vista de todos, são os                                      escravos postos, e mandados assentar em lotes,                                      e com separação dos grandes                                      aos pequenos, das pretas maiores e menores,                                      na rua pela frente da propriedade do senhor;                                      e quando à noite se faz preciso ser                                      recolhida a escravatura, repousa em um grande                                      armazém térreo, que fica por                                      baixo da propriedade senhorial.</p>
<div id="attachment_1521" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/desembarca.jpg" rel='lytebox[escravos-%e2%80%93-as-maos-e-os-pes%e2%80%a6-o-trafico]'><img class="size-medium wp-image-1521" title="desembarca" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/desembarca-300x217.jpg" alt="" width="300" height="217" /></a><p class="wp-caption-text">Desembarque de escravos. (Rugendas)</p></div>
<p>Quando                                      esta porção de escravatura chega                                      ao Brasil, consigo pensa, e bem, que entrando                                      na terra prometida da abundância, e                                      da fartura, nada lhe deve faltar; porém                                      o contrário lhe sucede, porque por                                      se querer liquidar a negociação                                      pela menor despesa, a mesma escravatura se                                      conserva sem novo vestuário; e encontra                                      a economia de umas escassas rações,                                      que de ordinário são feitas                                      daqueles mantimentos, que o capitão                                      fez durar por providência para maior                                      tempo da viagem: e na terra da abundância,                                      onde tudo é barato, não se supre                                      melhor a maltratada escravatura, que acaba                                      de uma tão alongada viagem.<br />
Neste suprimento não entram os senhorios                                      dela, porque todo o seu fim e intento vem                                      a ser gastar pouco, e pôr fora com venda                                      depressa a mesma escravatura: acometendo a                                      esse tempo o maior número das enfermidades                                      à escravatura, aos enfermos mandam                                      às vezes persuadir pelos seus intérpretes,                                      quando saem para a mostra da compra, que digam                                      aos novos senhores, que estão bons;                                      ao que são fáceis, porque cuidam,                                      que vão buscar melhor fortuna: de sorte                                      que da cama do chão, onde se acham                                      gravemente enfermos, são levados, e                                      passados aos compradores; e por conservarem                                      por mais algum tempo o segredo da mentira                                      até sucede que pouco duram em poder                                      de terceiro; e não dão tempo                                      a serem refugados, e na frase da terra enjeitados                                      [...]</p>
<p>Passando o escravo pelo título da venda                                      a novo senhor, ele se persuade  que escapou                                      da opressão; porém de ordinário,                                      ou se empregue nos serviços rústicos,                                      ou urbanos, está vivendo em um contínuo                                      martírio. Se o escravo se ocupa em                                      o serviço urbano, ele sim é                                      mais bem tratado pela comida, e pelo vestuário;                                      porém se é comprado para servir                                      a casa, há de dar conta de todo o serviço                                      dela com repartição das horas,                                      e é um fiador eterno dos bens da mesma                                      casa. Se em alguma coisa discrepa, ou quanto                                      faz não se amolda a um gênio                                      sempre prevenido contra o humilde escravo,                                      é logo mandado castigar.</p>
<p>Os escravos metidos nesta tortura, sustentando                                      o horrível combate da vida com a morte,                                      tremendo, e sendo obrigados a miúdo                                      a comparecerem como réus: alguns tornam                                      o fôlego, e morrem; outros passam navalhas                                      às goelas; outros lançam-se                                      aos poços; outros precipitam-se das                                      janelas, das grandes alturas; outros finalmente                                      matam a seus senhores [...]&#8221;</p>
<p>(Luís Antônio                                        de Oliveira Mendes. Memória a respeito                                        dos escravos e tráfico da escravatura                                        entre a Costa d&#8217;África e o Brasil                                        (1793)).</p>
<p><img src="http://www.cliohistoria.hpg.com.br/imagens/x.gif" alt="" width="8" height="8" /></p>
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		<title>Escravos &#8211; As mãos e os Pés&#8230; (Introdução)</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 12:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
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		<description><![CDATA[  sociedade brasileira, durante mais de                                          350 anos, é eminentemente escravista   [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1505" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/apanhar.gif" rel='lytebox[escravos-as-maos-e-os-pes-introducao]'><img class="size-medium wp-image-1505" title="apanhar" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/apanhar-300x240.gif" alt="" width="300" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">O homem branco é o senhor, dono, proprietário dos cinco outros homens negros e mulatos. Os outros se encontram atrás. O primeiro à esquerda do senhor é mulato, está bem vestido. Ao contrário dos outros, deixou o cabelo meio liso crescer, penteou-o, fez uma risca no lado esquerdo, como o seu senhor. Mas não pode usar sapatos, privilégio e marca distintiva dos livres e libertos. Tirar fotogra-fia era uma operação demorada. Ninguém podia se mexer durante quase dois minutos. Outras tentativa já podiam ter falhado. O fotógrafo Militão, que fez essa foto em São Paulo, deve ter reclamado. Por isso ou por outras razões mais secretas, o senhor está zangado, de cara amarrada. O escravo situado à sua direita, assustado, encolheu-se. Na extrema esquerda, o homem com a varinha na mão - pastor de cabras ou de vaca leiteira na cidade - tem um olhar altivo, talvez porque traga nas mãos o objeto de seu ofício, que o distingue dos outros cativos, paus para toda obra. Na extrema direita, o homem de branco se mexeu: estragou a foto da ordem escravista programada pelo seu senhor. Vai apanhar. No seu rosto fora de foco vislumbra-se o medo. Vai apanhar.  Luis Felipe de Alencastro História da Vida Privada no Brasil, vol. 2, p. 18-19</p></div>
<p><strong> </strong> sociedade brasileira, durante mais de                                          350 anos, é eminentemente escravista                                          e todas as relações socioculturais                                          são permeadas por essa característica.                                          Do escravo, a sociedade branca esperava                                          fidelidade, obediência e humildade:                                          &#8220;Essas três qualidades especiais                                          conformam a personalidade do <em>bom escravo</em>&#8220;.                                          (Kátia Matoso, 1982). A aparente                                          aceitação dessas normas                                          não signficava que não houvesse                                          resistências ou conflitos internos.                                          No entanto, mesmo em meio ao horror que                                          vivenciavam, eles precisavam tentar sobreviver.                                          Os que não se adaptavam a essas                                          exigências e não conseguiam                                          se estruturar internamente na condição                                          escrava provavelmente morriam.</p>
<p><strong>P</strong>ode-se                                          imaginar o tamanho do desespero, da depressão                                          e da insegurança que acometiam                                          muitos escravos. Os que sobreviviam precisavam                                          se adaptar às duras condições                                          de trabalho, às longas jornadas,                                          à alimentação precária,                                          aos maus tratos e castigos. Essas eram                                          as condições objetivas em                                          que viviam. As regras básicas de                                          sobrevivência implicavam trabalhar                                          e obedecer. Não necessariamente                                          sem resistência. (Guillen/Couceiro,                                          adaptado)</p>
<p><strong>A</strong>presentamos                                          nas páginas seguintes, documentos,                                          gravuras e fotos que contam um pouco desta                                          história. História ainda                                          pouco conhecida da grande maioria e tratada                                          marginalmente em nossos currículos                                          escolares.</p>
<p><strong>A</strong>s                                          duas imagens que acompanham esta introdução,                                          e seus respectivos textos, são                                          brilhantes e sintetizam esta história                                          de dor e miséria que forjou o Brasil.</p>
<div id="attachment_1506" class="wp-caption alignright" style="width: 188px"><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/ama.gif" rel='lytebox[escravos-as-maos-e-os-pes-introducao]'><img class="size-medium wp-image-1506" title="ama" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/ama-178x300.gif" alt="" width="178" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">A fotografia feita no Recife por volta de 1860. Na época era preciso esperar no mínimo um minuto e meio para se fazer uma foto. Assim, preferia-se fotografar as crianças de manhã cedo, quando elas estavam meio sonolentas, menos agitadas</p></div>
<p>O menino veio com a sua mucama, enfeitada                      com a roupa chique, o colar e o broche emprestado pelos pais                      dele. Do outro lado, além do fotógrafo Villela,                      podiam estar a mãe, o pai e outros parentes do menino.                      Talvez por sugestão do fotógrafo, talvez porque                      tivesse ficado cansado na expectativa da foto, o menino inclinou-se                      e apoiou-se na ama. Segurou a com as duas mãozinhas.                      Conhecia bem o cheiro dela, sua pele, seu calor. Fora no vulto                      da ama, ao lado do berço ou colado a ele nas horas                      diurnas e noturnas da amamentação, que os seus                      olhos de bebê haviam se fixado e começado a enxergar                      o mundo. Por isso ele invadiu o espaço dela: ela era                      coisa sua, por amor e por direito de propriedade. O olhar                      do menino voa no devaneio da inocência e das coisas                      postas em seu devido lugar.</p>
<p>Ela, ao contrário, não se moveu. Presa à                      imagem que os senhores queriam fixar, aos gestos codificados                      de seu estatuto. Sua mão direita, ao lado do menino,                      está fechada no centro da foto, na altura do ventre,                      de onde nascera outra criança, da idade daquela. Manteve                      o corpo ereto, e do lado esquerdo, onde não se fazia                      sentir o peso do menino, seu colo, seu pescoço, seu                      braço escaparam da roupa que não era dela, impuseram                      à composição da foto a presença                      incontida de seu corpo, de sua nudez, de seu ser sozinho,                      da sua liberdade.</p>
<p>O mistério dessa foto feita há 130 anos chega                      até nós. A imagem de uma união paradoxal                      mas admitida. Uma união fundada no amor presente e                      na violência pregressa. A violência que fendeu                      a alma da escrava, abrindo o espaço afetivo que está                      sendo invadido pelo filho do senhor. Quase todo o Brasil acabe                      nessa foto.</p>
<p>Luis Felipe de Alencastro<br />
História da Vida Privada no Brasil, vol. 2, p. 439-440</p>
<p><strong><em>Fonte: www.cliohistoria.hpg.com.br</em></strong></p>
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		<title>60 dicas de alimentação saudável</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 12:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canal Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[dicas de saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Festas, festas e mais festas. Essa                                              foi a rotina das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/nut_60dicas.jpg" rel='lytebox[60-dicas-de-alimentacao-saudavel]'><img class="alignleft size-full wp-image-1501" title="nut_60dicas" src="http://www.portalventrelivre.com/wp-content/uploads/2010/04/nut_60dicas.jpg" alt="" width="180" height="246" /></a><em>Festas, festas e mais festas. Essa                                              foi a rotina das últimas semanas,                                              não é mesmo? Confraternizações                                              regadas a muita, mas muita comida.                                              Se depois de tanta alegria, o que                                              restou agora te deixa preocupado,                                              principalmente em relação                                              ao peso (ou ao excesso dele), nada                                              mais oportuno do que voltar ao equilíbrio.                                              Se não sabe por onde começar,                                              se pretende ir para o &#8220;tudo ou                                              nada&#8221;, espere um pouco! Será                                              que vale a pena? </em></p>
<p><em></em>O nosso corpo, quando entra em                                                uma alta restrição                                                 alimentar, não entende                                                 o  que está acontecendo.                                                 Isso  significa que ele não                                                 sabe  se a deficiência                                                 energética                                                é porque desejamos um corpo                                                mais bonito ou para ficarmos mais                                                saudáveis. Sua meta é perder                                               peso? Nós ajudamos você na                                               luta contra a balança. <a href="http://cyberdiet.terra.com.br/cadastro/cadastro1.php?origem=cdiet_nut_030102" target="_blank">Clique                                               aqui</a> e saiba como. Imagine-se                                               no deserto, onde há pouca                                                comida,  pouca água. O                                                que acontecerá                                                quando encontrar alimento e bebida?                                                Nada mais natural do que comermos                                                mais para nos prepararmos para                                               a  próxima restrição.                                                Pois bem, é isso que o                                                nosso  organismo faz. Se você alterna                                           momentos de alta</p>
<p>restrição com abundância                                       de alimentos e, conseqüentemente de <a href="http://cyberdiet.terra.com.br/cyberdiet/colunas/050711_nut_rotulo_alimentos.htm">calorias</a>,                                       o corpo estocará o pouco que ele                                       receberá para se preparar para a                                       próxima deficiência,                                        dificultando o emagrecimento.</p>
<p>O que isso significa? Que altas restrições                                          alimentares não são boas                                          para você. Isso não irá                                          ajudá-lo a eliminar peso com saúde                                          e muito menos o ajudará no período                                          de manutenção. Então,                                          esqueça o &#8220;tudo ou nada&#8221;                                          e siga as próximas 60 dicas para                                          que possa se livrar do excesso das festas                                          e se preparar para cumprir a promessa                                          de ter saúde. Afinal, saúde                                          está diretamente relacionada com                                          a alimentação adequada.                                          Você duvida disso?</p>
<p>1. Evite                                          dietas milagrosas em que há uma                                          grande eliminação de peso                                          em um curto período de tempo.</p>
<p>2. Não faça uma alimentação                                          baseada em somente um tipo de alimento                                          ou nutriente.</p>
<p>3. Mesmo tendo exagerado nos dias                                          anteriores, faça, pelo menos, 5                                          refeições por dia.</p>
<p>4. Pequenos lanches entre as refeições                                          principais irão evitar a vontade                                          de devorar o primeiro prato que encontrar                                          pela frente.</p>
<p>5. Não belisque entre as                                          refeições.</p>
<p>6. Esqueça dos snaks (salgadinhos)                                          e da bolacha recheada.</p>
<p>7. Deixe na gaveta do escritório                                          barrinha de cereais, bolacha integral                                          (ingira, no máximo, 3 unidades).</p>
<p>8. Frutas e iogurtes light são                                          excelentes lanches.</p>
<p>9. Se tiver vontade de comer um                                          doce, coma-o. Mas lembre-se: somente um                                          pedaço ou unidade. Isso é                                          melhor do que devorar uma caixa de bombom                                          no final do dia.</p>
<p>10. Comece sempre as refeições                                          por um caprichado prato de saladas.</p>
<p>11. Evite o uso de óleos                                          para temperar as saladas. Use vinagre                                          ou suco de limão.</p>
<p>12. Macarrão é permitido,                                          mas cuidado com o molho.</p>
<p>13. Molho branco, quatro queijos,                                          bolonhesa são muito mais calóricos                                          quando comparados com o ao sugo. Portanto&#8230;</p>
<p>14. Não repita a refeição.</p>
<p>15. Evite beber refrigerantes,                                          mesmo os light ou diet.</p>
<p>16. Evite água gaseificada.                                          Bebidas com gás dilatam o estômago                                          dando uma falsa sensação                                          de saciedade.</p>
<p>17. Bebidas energéticas                                          tipo Gatorade devem ser evitadas. São                                          calóricas e, para não atletas,                                          a água ainda é o melhor                                          hidratante.</p>
<p>18. Prefira sucos naturais.</p>
<p>19. Utilize adoçantes nos                                          sucos e no cafezinho.</p>
<p>20. Beba, no máximo, 4 xícaras                                          pequenas de café por dia.</p>
<p>21. Ingira bastante água                                          durante o dia. No mínimo, 1,5 litro                                          ou 8 copos.</p>
<p>22. Leve sempre uma barrinha de                                          cereais na bolsa. Quando a vontade de                                          comer alguma coisa aparecer, você                                          já tem algo em mãos.</p>
<p>23. Ingira todos os dias legumes.</p>
<p>24. Coma diariamente 2 frutas.</p>
<p>25. Prefira ameixa, melancia, melão,                                          morango que são menos calóricas.</p>
<p>26. Cuidado com as frutas secas.                                          Por serem desidratadas é fácil                                          ingerir mais calorias do que as naturais.</p>
<p>27. Ingira carnes menos calóricas                                          como peixe, frango (peito), peru, patinho,                                          contra-filé.</p>
<p>28. Cuidado com o salmão.                                          Ele apresenta mais calorias do que outros                                          peixes.</p>
<p>29. Retire a pele das aves. Ela                                          contém basicamente gordura.</p>
<p>30. Evite atum e sardinha conservados                                          em óleo. Já existe a versão                                          light.</p>
<p>31. Miúdos e vísceras                                          são ricos em gorduras saturadas.                                          Então, minimize o consumo desses                                          alimentos.</p>
<p>32. Retire a gordura visível                                          das carnes, como por exemplo, a da picanha.</p>
<p>33. Evite alimentos fritos. Dê                                          preferência ao grelhados ou cozidos.</p>
<p>34. Embutidos (mortadela, presunto,                                          salame) devem ser evitados.</p>
<p>35. Enlatados são ricos                                          em sódio, por isso, prefira os                                          alimentos naturais.</p>
<p>36. Manteiga, creme de leite, chantilly,                                          massa podre são ricos em calorias                                          e colesterol. Evite-os.</p>
<p>37. Queijos amarelos (mussarela,                                          provolone, prato, parmesão) devem                                          ser evitados.</p>
<p>38. Dê preferência                                          aos queijos brancos como o de minas, frescal,                                          ricota e cottage.</p>
<p>39. Evite as preparações                                          gratinadas.</p>
<p>40. Dê preferência                                          aos alimentos desnatados como leite e                                          iogurtes.</p>
<p>41. Se não tem boa aceitação                                          ao leite desnatado, fique com o semi-desnatado.</p>
<p>42. Evite chocolates, inclusive                                          o diet.</p>
<p>43. Ingira alimentos ricos em fibras                                          como legumes, verduras e frutas.</p>
<p>44. Consuma maçã,                                          pêra, uva com a casca.</p>
<p>45. Pizza prefira as menos calóricas                                          como de escarola, rúcula, mussarela.                                          Mas fique somente na primeira fatia.</p>
<p>46. Tomate seco, por ser conservado                                          em óleo, deve ser evitado.</p>
<p>47. Bebidas alcoólicas são                                          calóricas. Consuma esporadicamente                                          e em pequena quantidade.</p>
<p>48. Uma taça de vinho diariamente                                          faz bem para a saúde. Mas nada                                          adiantará se não tem o hábito                                          da boa alimentação e é                                          sedentário.</p>
<p>49. Em barzinhos evite os petiscos                                          como amendoim, batata frita, castanha                                          de caju, carne seca ou salgadinhos.</p>
<p>50. Evite os fast-food. Os alimentos                                          servidos são normalmente ricos                                          em gorduras.</p>
<p>51. Se não tiver saída,                                          prefira uma unidade de cheeseburguer,                                          refrigerante light e batata frita pequena.                                          Dispense a sobremesa.</p>
<p>52. Em restaurantes por quilo,                                          passe primeiro por todas as opções                                          antes de escolher os alimentos. Isso evitará                                          exageros.</p>
<p>53. Para a sobremesa, prefira frutas                                          da época.</p>
<p>54. Evite sorvetes de massa. Opte                                          pelo picolé de fruta.</p>
<p>55. Em sorveteria por quilo, prefira                                          os sorvetes de frutas. Passe reto nas                                          coberturas e chantilly.</p>
<p>56. Nunca vá ao supermercado                                          com fome. Vá sempre após                                          uma refeição. Isso evitará                                          pegar balas, chocolates e salgadinhos.</p>
<p>57. Não compre alimentos                                          que devem ser evitados.</p>
<p>58. Compare os rótulos dos                                          alimentos e verifique se os light e diet                                          são menos calóricos. Nem                                          sempre isso é verdade.</p>
<p>59. Nunca acumule a fome. Por isso                                          deixe na geladeira legumes picados (cenoura,                                          pepino, salsão) e gelatina diet.                                          Eles não prejudicarão o                                          seu emagrecimento.</p>
<p>E, por fim, vale essa                                          dica:</p>
<p>60. Movimente-se!!                                          Você não precisa ir à                                          academia! <a href="http://cyberdiet.terra.com.br/cyberdiet/colunas/011015_fit_caminhada.htm">Caminhar</a> 3 vezes por semana                                          pelo bairro, por 40 minutos cada sessão,                                          irá ajudá-lo a ter mais                                          saúde!</p>
<p><strong><em>Fonte: http://cyberdiet.terra.com.br</em></strong></p>
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		<title>Capoeira Fighter 3</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2010 19:40:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bacalhau</dc:creator>
				<category><![CDATA[Games]]></category>
		<category><![CDATA[jogos]]></category>

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		<description><![CDATA[ var dir='http://www.shockwave.com//content/capfighter3/sis/roda.swf'; document.write(''); document.write(''); 
Dois anos após a última competição, mestre Zumbi, mestre Rochedo e  mestre Loka prepararam seus melhores alunos por uma combate mortal pelos  seis continentes. Eles deverão testar a capoeira contra diversas outras  artes marciais espalhadas pelo mundo e provar seu valor.
É neste  campeonato que Capoeira Fighter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><script> var dir='http://www.shockwave.com//content/capfighter3/sis/roda.swf'; document.write('<iframe src="'+dir+'" width="590" height="410" marginwidth="0" marginheight="0" hspace="0" vspace="0" frameborder="0" scrolling="no" target="_blank"></iframe>'); document.write('<ilayer src="'+dir+'" width="590" height="410"></ilayer>'); </script></p>
<p>Dois anos após a última competição, mestre Zumbi, mestre Rochedo e  mestre Loka prepararam seus melhores alunos por uma combate mortal pelos  seis continentes. Eles deverão testar a capoeira contra diversas outras  artes marciais espalhadas pelo mundo e provar seu valor.</p>
<p>É neste  campeonato que Capoeira Fighter 3 coloca você. Além de reencontrar os  antigos lutadores das versões anteriores do game, você ainda terá a  chance de conhecer pessoas novas, treinar seus movimentos e ganhar  experiência.</p>
<p>O jogo é bastante completo, contando com quase todos  os movimentos da luta de capoeira, diversos personagens, cada um com  suas habilidades especiais únicas, e muitos modos para você se divertir  sozinho ou junto aos amigos.</p>
<p>Os gráficos do jogo são super bem  desenhados e coloridos e a jogabilidade é surpreendente para um joguinho  em flash. A trilha sonora também corresponde a situação e os cenários  de luta, que podem ser escolhidos pelo gamer, são<br />
bastante variados.</p>
<p>Capoeira  Fighter 3 é um excelente desafio e passatempo para todas as idades,  divertindo durante dias e trazendo novos elementos aos games do estilo  Street Fighter. Dificilmente você encontrará um jogo em flash tão  completo, com tantas opções de desafios que você não vai enjoar nunca.</p>
<p><strong>Comandos</strong></p>
<p><em>Jogador  1</em></p>
<ul>
<li>Tecla A: mover para esquerda</li>
<li>Tecla D:  mover para direita</li>
<li>Tecla W: pular</li>
<li>Teclas S: agachar</li>
<li>Tecla  G: soco direito</li>
<li>Tecla H: soco esquerdo</li>
<li>Tecla V: chute  direito</li>
<li>Tecla B: chute esquerdo</li>
</ul>
<p><em><br />
Jogador 2</em></p>
<ul>
<li>Setas  direcionais: mover o personagem</li>
<li>Teclas 2, 3, 5 e 6: golpes</li>
</ul>
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